Dos dados à decisão: as oficinas de Claudia Moggia e Juan Hirzel que organizaram os critérios para Lima 2026.
A Sala de Conferências Complementar transmitiu uma mensagem clara ao longo do dia. Os padrões da indústria são fortalecidos quando a informação é traduzida em critérios operacionais. Num contexto em que a tomada de decisões coexiste com a variabilidade e a pressão pela consistência, ambos os workshops concordaram num ponto essencial: o valor não reside na acumulação de dados, mas sim na sua correta interpretação e utilização para priorizar ações.
Seguindo essa abordagem, Claudia Moggia explorou os princípios fundamentais que permitem que um ensaio seja útil e comparável em P&D&I. Juan Hirzel, por sua vez, abordou como interpretar análises de dados usando critérios agronômicos antes de transformar um resultado em uma decisão. Juntas, as sessões estabeleceram uma linguagem técnica comum para avaliar as evidências com mais rigor e reduzir interpretações precipitadas.
Ensaios comparativos em P&D&I para embasar decisões confiáveis.
O workshop avançado sobre o planejamento e a análise de ensaios de P&D focou nos elementos que tornam um ensaio aplicável às decisões de gestão. A ênfase foi na formulação de perguntas claras, na definição de variáveis mensuráveis, no estabelecimento de metodologias comparáveis e na garantia de uma interpretação consistente dos resultados, especialmente em uma cultura com alta variabilidade associada à interação entre ambiente, manejo e desempenho do sistema de produção.
Moggia enfatizou que a análise estatística é a base para se chegar a conclusões confiáveis e comparáveis. “A análise estatística nos permite obter resultados confiáveis e trabalhar com uma probabilidade de erro que não ultrapassa 5%”, observou, ressaltando que a qualidade do resultado depende do delineamento, do método de amostragem e da avaliação. Nessa perspectiva, um ensaio clínico torna-se útil quando parte de uma questão de pesquisa bem definida e de um delineamento capaz de capturar o efeito desejado sem comprometer a comparabilidade entre os tratamentos.
A sessão também reforçou que a utilidade do ensaio clínico diminui quando se tenta medir muitos fatores simultaneamente. Essa abordagem aumenta a incerteza e dificulta a obtenção de conclusões, prejudicando a aplicação dos resultados na tomada de decisões. Em contrapartida, o trabalho com critérios de projeto, repetições e controle de erros permite distinguir resultados surpreendentes de resultados aplicáveis, fornecendo evidências para apoiar ajustes de gestão ou validar alternativas em condições comparáveis.

Workshop Avançado de Claudia Moggia sobre Desenho e Análise de Ensaios Clínicos para P&D&I © Blueberries Consulting
Interpretação de dados com critérios agronômicos e relevância.
No workshop de interpretação de análise de dados, Juan Hirzel aprofundou-se em como ler informações para tomar decisões mais precisas. O conteúdo abordou a compreensão da variabilidade, a consistência dos resultados e a relevância agronômica da análise, antes de traduzir as conclusões em ações concretas. A mensagem conectou-se a um cenário transversal para o setor. À medida que a diversidade varietal aumenta, torna-se mais relevante trabalhar com referências e padrões específicos, em vez de aplicar critérios gerais.
Hirzel afirmou isso diretamente, salientando que “não é correto usar o mesmo padrão para todas as variedades; precisamos trabalhar com referências para cada variedade”. Essa ideia foi relacionada à necessidade de tomar decisões com base em evidências contextualizadas, considerando que os fatores nem sempre têm o mesmo peso na produção. Nessa perspectiva, a interpretação dos dados envolve, primeiramente, examinar sua consistência e variabilidade e, em seguida, avaliar se o resultado tem magnitude e contexto que justifiquem uma mudança.
O workshop reforçou a ideia de que uma interpretação adequada depende de critérios mínimos de leitura, validação do contexto dos dados e conclusões proporcionais ao escopo real da análise. Na prática, isso significa evitar decisões reativas baseadas em leituras incompletas e fortalecer a consistência dos programas por meio de evidências bem interpretadas.

Workshop de Interpretação e Análise de Dados de Juan Hirzel © Blueberries Consulting
Uma estrutura comum para a tomada de decisões consistentes.
Em conjunto, as duas oficinas proporcionaram um benefício fundamental para as equipes técnicas. Foi estabelecido um modelo comum para alinhar a comunicação entre os departamentos, reduzir as lacunas de interpretação e melhorar a consistência na tomada de decisões. A ideia principal era avançar em direção a uma tomada de decisão metódica, formulando perguntas melhores, realizando medições comparáveis e chegando a conclusões tecnicamente sólidas.
A Sala de Conferências Complementar estabeleceu, assim, uma abordagem prática e exigente. A qualidade dos dados, sua interpretação e sua transferência para a tomada de decisões tornaram-se o fio condutor de uma manhã dedicada ao fortalecimento de critérios, especialmente em uma cultura onde a variabilidade faz parte do sistema e onde a consistência depende, em grande medida, de como o que acontece no campo é medido e interpretado.
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