Marrocos: o novo gigante das bagas que agora enfrenta o desafio de consolidar sua liderança.

O crescimento de Marrocos como fornecedor de frutos silvestres abre uma nova etapa para o setor: manter a competitividade face à escassez de água, à concentração do mercado e às crescentes exigências comerciais.

Falar da indústria global de frutos vermelhos hoje em dia não significa mais olhar apenas para o Chile, Peru, México ou Estados Unidos e China. Marrocos se consolidou firmemente entre os principais atores do setor graças ao crescimento sustentado baseado em investimentos internacionais, inovação genética, proximidade logística com a Europa e agricultura cada vez mais avançada tecnologicamente.

O que há apenas vinte anos era uma indústria focada principalmente na produção de morangos, hoje consiste em milhares de hectares dedicados a diferentes frutos silvestres, com destaque para os mirtilos e framboesas, concentrados principalmente nas regiões de Loukkos, Kenitra e Agadir, embora se estendam a outras áreas do país.

Os números refletem essa transformação. As exportações de Marrocos estão agora se aproximando de 100.000 mil toneladas de mirtilos frescos anualmente, consolidando sua posição como o principal exportador da África e um dos principais fornecedores mundiais. Sua janela de comercialização, entre janeiro e maio, permite abastecer o mercado europeu justamente quando a oferta do Hemisfério Sul diminui.

Uma plataforma estratégica para a Europa

A principal vantagem competitiva de Marrocos continua sendo sua localização geográfica próxima à Europa. Enquanto as frutas sul-americanas precisam de várias semanas de transporte marítimo para chegar aos supermercados europeus, as frutas vermelhas marroquinas podem ser colhidas em um único dia e estar em centros de distribuição no Reino Unido, França, Alemanha ou Espanha em menos de 48 horas.

Essa vantagem impulsionou investimentos internacionais significativos, e empresas como Driscoll's, BerryWorld, San Lucar e Elite Agro Holding, entre outras, expandiram consideravelmente suas operações no país. Esta última inaugurou recentemente sua sétima fazenda no Marrocos, adicionando mais 200 hectares dedicados à produção de mirtilo e framboesa na região de Kenitra. Enquanto isso, os investimentos da Elite Agro atualmente ultrapassam 500 milhões de dirhams dos Emirados Árabes Unidos (aproximadamente US$ 140 milhões) e criaram mais de 8.000 empregos, refletindo a confiança no potencial de crescimento do setor.

Água, o principal desafio

Se há uma questão que preocupa produtores, empresas e autoridades atualmente, é a disponibilidade de água, visto que Marrocos enfrenta um dos cenários de estresse hídrico mais complexos do Mediterrâneo. A diminuição contínua das chuvas e a crescente pressão sobre os aquíferos estão forçando uma reconsideração do modelo de produção.

Nesse cenário, a estratégia nacional Génération Green 2020-2030 promoveu uma profunda modernização da irrigação por meio de sistemas de gotejamento com monitoramento remoto, sensores de umidade e reutilização de água tratada, buscando aumentar a eficiência sem comprometer a competitividade do setor.

Diversificar para continuar crescendo

Outro grande desafio é reduzir a dependência do mercado europeu. Atualmente, a maior parte das exportações continua concentrada na Espanha, Reino Unido, Holanda, Alemanha e França. No entanto, a crescente concorrência do Peru, Chile, México e Espanha, juntamente com exigências fitossanitárias mais rigorosas da União Europeia, está impulsionando uma estratégia de diversificação para novos destinos, como os Emirados Árabes Unidos, a China e outros mercados asiáticos.

Tânger, ponto de encontro da indústria mundial.

Neste cenário de expansão, mas também de importantes desafios, Marrocos voltará a acolher um dos encontros técnicos mais relevantes da indústria internacional, nomeadamente o XLIII Seminário Internacional sobre Frutos Vermelhos Marrocos 2026.

Em setembro, os salões do Hotel Royal Tulip Center, na cidade de Tânger, receberão produtores, exportadores, pesquisadores, empresas de genética, fornecedores de tecnologia e especialistas de diferentes continentes para analisar o presente e o futuro das frutas vermelhas na região do Mediterrâneo.

O encontro internacional faz parte do Blueberry World Tour, organizado pela Blueberries Consulting, e permitirá aos participantes conhecer em primeira mão um setor que se tornou um dos casos de crescimento mais interessantes da agricultura mundial.

O evento será uma oportunidade não só para observar os avanços produtivos alcançados por Marrocos, mas também para debater os desafios que marcarão o desenvolvimento do setor nos próximos anos, como a sua sustentabilidade e estratégias para enfrentar as alterações climáticas, bem como a introdução de novas variedades e a sua eficiência logística, além de avaliar a sua presença nos mercados emergentes e a rentabilidade obtida.

Embora Marrocos tenha surpreendido o mundo na última década com seu rápido crescimento, o verdadeiro desafio começa agora, e o país precisa demonstrar que essa liderança pode ser sustentada em um cenário agrícola e comercial cada vez mais exigente. Nesse contexto, o 43º Seminário Internacional sobre Frutas Vermelhas Marrocos 2026, que será realizado na quarta-feira, 16 de setembro, no Hotel Royal Tulip City Center, em Tânger, assume especial importância.

A Visita Técnica Internacional a Marrocos acontecerá na Zona Norte do país, com visitas a plantações de mirtilo, para que produtores de diferentes países possam aprender em primeira mão sobre as técnicas de produção e os avanços tecnológicos de Marrocos.

 

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