Competitividade peruana

Gabriel Amaro (AGAP) na Fruit Attraction 2026: “Ano após ano, a concorrência no setor de mirtilo aumenta”.

O líder sindical sugere que os produtores busquem margens melhores por meio de uma oferta mais diferenciada, qualidade consistente e conexões mais eficientes com os mercados internacionais.

Por: Natalia Rubio Iversen

Os mirtilos peruanos competem em um mercado onde tanto o consumo quanto a oferta global estão crescendo. Novos produtores estão expandindo sua produção e os compradores estão aumentando suas demandas. Para o Peru, a discussão não se resume mais a quanto produzir, mas também a como diferenciar sua oferta e onde encontrar melhores oportunidades comerciais.

Essa é a mudança que Gabriel Amaro, presidente da Associação das Guildas de Produtores Agrícolas do Peru (AGAP), observou desde o lançamento do Fruit Attraction 2026. Em conversa com a Blueberries Consulting, ele abordou como o aumento da concorrência está levando os produtores a buscarem margens melhores, novos mercados e atributos que lhes permitam diferenciar as frutas peruanas.

Mais consumo, mais concorrência.

“Ano após ano, a concorrência aumenta”, alerta Amaro. O consumo está crescendo e os mirtilos estão ganhando popularidade entre os consumidores, mas, ao mesmo tempo, a oferta global também está aumentando.

A pressão não vem apenas de outros países sul-americanos. Amaro identifica a China como um dos atores que expandiu significativamente sua área de produção, aumentando a concorrência no mercado global de mirtilo.

Esse cenário muda a questão para os produtores: não se trata mais apenas de quanto produzir, mas de onde colocar essa fruta e quais atributos usar para diferenciá-la.

Amaro explica em termos comerciais: “Os produtores procuram nichos onde possam ter uma margem de lucro maior e se diferenciar”. Essa busca inclui novos mercados, mas também variedades capazes de atender às condições de produção e às demandas comerciais.

Ao discutir novas variedades, Amaro destaca a produtividade no campo, o sabor e a textura crocante entre os atributos que considera relevantes. Esses são elementos que ligam o desempenho produtivo à aceitação do consumidor.

A variedade, porém, não explica por si só o resultado final. Amaro então direciona a discussão para o manejo da cultura.

A diferenciação começa no campo.

Segundo o presidente da AGAP, a qualidade não se define apenas após a colheita. "É um processo completo, que não se limita ao pós-colheita ou ao embalamento", afirma.

A poda, a nutrição, o manejo das plantas e a rastreabilidade fazem parte do processo antes que a fruta chegue à unidade de embalagem. Posteriormente, o manuseio e a logística pós-colheita devem manter essa qualidade e condição até que ela chegue ao mercado.

Portanto, a diferenciação não depende apenas da variedade plantada. Ela também está ligada à forma como essa genética é manejada no campo e à capacidade de manter a fruta dentro dos parâmetros exigidos para cada destino.

E o mercado não exige apenas qualidade. Exige também consistência.

O mercado exige continuidade.

“Eles querem um fornecimento durante o ano todo”, destaca Amaro, referindo-se às exigências dos compradores.

Essa demanda responde a um mercado que busca um fornecimento contínuo de mirtilos com qualidade constante, contando com diferentes variedades e origens para atender às preferências do consumidor.

Além da janela comercial, a continuidade e a consistência também têm grande peso nos programas de fornecimento.

Para o Peru, a integração competitiva nesses programas exige a análise de outra limitação estrutural: a distância.

A distância nos obriga a analisar a logística.

Amaro reconhece que o Peru está longe de vários de seus mercados-alvo e que algumas rotas podem prolongar os tempos de chegada. No caso da Europa, ele menciona a passagem pelo Canal do Panamá e as restrições que podem afetar a fluidez dessas conexões.

Ao mesmo tempo, o país está ganhando novas alternativas. Amaro destaca os investimentos portuários e menciona Chancay como uma rota que abre conexões mais diretas com a Ásia.

Chancay não elimina o desafio logístico, mas amplia as opções para conectar as exportações peruanas à Ásia por meio de rotas mais diretas. Para um produto originário de locais distantes de muitos de seus mercados, a adição de opções mais eficientes pode ajudar a manter a qualidade da fruta e ampliar as oportunidades comerciais.

A análise de Amaro aponta para uma nova etapa: o Peru não compete mais apenas pela quantidade que produz, mas também pela forma como diferencia, conserva e posiciona essa fruta nos mercados.

Consultoria em mirtilos na Fruit Attraction 2026

A Blueberries Consulting continuará sua presença na Fruit Attraction 2026, de 6 a 8 de outubro, em Madri, reunindo-se com empresas e líderes do setor para obter conhecimento em primeira mão sobre os desafios produtivos, tecnológicos e comerciais do segmento e para avançar no desenvolvimento de sua agenda internacional para 2027. Empresas interessadas em explorar oportunidades de participação, posicionamento e desenvolvimento de negócios nos próximos eventos podem agendar uma reunião com a equipe durante a feira.

Contato: contacto@blueberriesconsulting.com

WhatsApp: + 56 9 3469 3871

Leia também:

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  2. Fruit Attraction 2026: Mirtilos chilenos redefinem sua competitividade por meio da genética, condições de cultivo e novos mercados.
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  5. Mirtilos peruanos: a Ásia exige uma estratégia cada vez mais segmentada.
  6. Callao e Chancay reorganizam as rotas dos mirtilos peruanos.

fonte
Consultoria Blueberries

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