Principais mercados emergentes:

Mirtilos: os mercados emergentes irão remodelar o mapa das exportações em 2025/26.

O segmento de "outros destinos" surgiu como a grande surpresa da temporada de mirtilo de 2025/26. Mercados como Canadá, Taiwan, Índia e Arábia Saudita estão aumentando suas compras e começando a atuar como um quarto polo de demanda, forçando os exportadores a diversificar seus programas para além dos Estados Unidos, Europa e China.

Na safra 2025/26, as exportações peruanas de mirtilo não só cresceram em volume, como também sofreram alterações na distribuição da fruta. A categoria "outros destinos" representa agora uma parcela significativa do total das exportações e apresenta um crescimento muito mais acelerado do que os mercados tradicionais. Por trás dessa categoria, encontram-se países que, há poucos anos, mal figuravam nas estatísticas, mas que agora mantêm programas estáveis ​​com compras semanais recorrentes, e não apenas transações pontuais.

Para o Hemisfério Sul, essa mudança abre um novo cenário. Os Estados Unidos, a Europa e a China continuam sendo os pilares, mas a categoria "outros destinos" começa a reequilibrar a balança: ela permite uma melhor distribuição do risco comercial, aproveitando oportunidades específicas e exportando frutas com atributos adaptados às demandas de cada mercado. Na prática, os exportadores não se concentram mais apenas nos "três principais mercados", mas estão incorporando um quarto fator-chave de tomada de decisão em seu planejamento de negócios anual.

© Blueberries Consulting

Novos destinos, novas regras do jogo

A ascensão do segmento de "outros destinos" também está mudando o diálogo estratégico dentro das empresas. A questão não se limita mais a quanto é vendido para os Estados Unidos ou Europa, mas sim ao papel que mercados emergentes como Canadá, Taiwan, Índia ou Arábia Saudita desempenham no aproveitamento de produtos sazonais, na venda de certas variedades e na obtenção de melhores retornos para frutas com atributos específicos. Cada um desses destinos possui seus próprios padrões de consumo, formatos, canais e sensibilidade a preços.

Essa diversidade exige a criação de portfólios de mercado mais sofisticados. Alguns destinos são ideais para frutas grandes e de alta qualidade; outros funcionam melhor para tamanhos médios ou para variedades com bom sabor, mas menos adequadas para viagens extremamente longas. O rótulo "outros destinos" deixa de ser uma categoria genérica e passa a ser um conjunto de mercados com nome, foco específico e estratégia definida dentro do mix de marketing geral.

Impacto no planejamento semanal de envios

O crescimento desses mercados secundários não é medido apenas em números anuais, mas também na estrutura da curva de remessas ao longo da temporada. A janela "outros destinos" mostra semanas específicas com alta concentração de contêineres, tanto no início quanto no meio da temporada, quando a pressão de oferta para os Estados Unidos ou a Europa é maior. Isso funciona como uma válvula de escape para gerenciar os picos de produção e evitar a saturação nos mercados primários.

Ao mesmo tempo, essa maior complexidade exige uma coordenação mais estreita entre os departamentos de campo, logística e vendas. A decisão sobre qual fruta será destinada a cada mercado não se baseia mais apenas no preço à vista, mas também considera a condição da fruta, sua vida útil estimada após a colheita e o período real de chegada ao destino. Nesse contexto, a categoria "outros destinos" funciona como uma reserva estratégica, ajudando a manter os retornos e a reduzir o risco de excesso de oferta em alguns mercados-chave.

De bloco secundário a polo estratégico de mirtilo

A expansão do Canadá, Taiwan, Índia e Arábia Saudita indica que o conceito de “outros destinos” está se tornando obsoleto. O que era visto há alguns anos como um grupo marginal agora funciona como um verdadeiro polo de demanda que complementa e, por vezes, compete com os mercados tradicionais. Para os países exportadores, isso significa mais opções, mas também maiores exigências de segmentação e consistência.

Nesse novo cenário, o sucesso depende não apenas da abertura de novos mercados, mas também da manutenção de relacionamentos comerciais de longo prazo, da compreensão do comportamento do consumidor e da adaptação das variedades e da oferta logística às condições específicas de cada mercado. Aqueles que gerenciarem esse quarto polo de forma eficaz terão maior flexibilidade para navegar em um setor global de mirtilo cada vez mais competitivo, onde a diversificação inteligente de mercados é tão importante quanto a produtividade no campo.

fonte
Consultoria BlueBerries

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