Mirtilos peruanos aproveitam a concorrência com o primeiro embarque de Chancay

O embarque da fruta marcou o início das operações do megaporto, que promete reduzir custos logísticos e melhorar os tempos de trânsito, posicionando o Peru como um player-chave nas exportações agrícolas para a Ásia.

Durante o Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), o presidente chinês Xi Jinping juntamente com a presidente Dina Boluarte deramo pontapé inicial para o megaporto de Chancay, um projeto avaliado em cerca de US$ 3.500 bilhões que impulsionará o comércio entre o Peru e os países asiáticos.

Naquela mesma semana, Foi despachada a primeira carga daquele porto realizada pela empresa Qali, da Agrícola Cerro Prieto (ACP). Ela transporta mirtilos produzidos pela empresa para Xangai.

Em uma entrevista com DFSUD, o gerente geral da ProArándanos, Luis Miguel Vegas, destacou a utilização do porto de Chancay como porta de entrada para o mercado asiático.

“Essa primeira remessa é uma rota que levará 25 dias de trânsito, o que é ótimo. Espera-se que com o porto de Chancay tenhamos serviços com tempos de trânsito mais curtos, o que nos permitirá chegar com tempos obviamente melhores e com fruta nas melhores condições”, comentou o gestor.

Segundo a empresa, o valor da carga é mais de quatro vezes o preço de um carro importado da China.

“De Qali, Nossos mirtilos de qualidade superior viajam para Xangai através do Chancay Megaport”, destacou o ACP. “O valor dos nossos envios, que supera em muito o de outros produtos, reafirma a nossa posição como referência de qualidade nos mercados internacionais”, acrescentaram nas suas redes sociais.

Segundo dados da organização comercial Proarándanos, até o momento foram exportadas 33.919 toneladas de mirtilos frescos para países asiáticos, o que representa uma participação de 16% no total dos embarques. Desse total, 85% são exportados para a China e os 15% restantes são divididos em oito destinos diferentes.

melhores momentos

Segundo as projeções do Governo do Peru para 2023, o porto de Chancay permitiria uma redução nos custos logísticos para as empresas de 15%.

“O trânsito dos nossos produtos para a Ásia demora 40 dias, mas com o novo porto isso pode ser reduzido para entre 25 ou 28 dias. É uma diminuição significativa porque nossos produtos chegarão mais cedo e, além disso, reduziremos custos para o exportador”, comentou no ano passado a vice-ministra do Comércio Exterior, Teresa Mera.

China e concorrência na região

Em 2023, Peru exportou 47 produtos agroindustriais para a China por US$ 369 milhões, entre os quais se destacaram mirtilos, uvas e abacates, segundo a Associação dos Exportadores (Adex).

Entre os principais itens embarcados em 2023, destacaram-se os mirtilos, que representaram 35,4% do total embarcado; uvas (21%), abacates (18%), algas frescas e refrigeradas (11,4%) e tara em pó (7,5%).

Além disso, as exportações agroindustriais tiveram um crescimento significativo, principalmente desde a implementação do Acordo de Livre Comércio (TLC) entre o Peru e a China. Os embarques agrícolas passaram de US$ 19 milhões em 2009 para US$ 369 milhões em 2023.

“O porto de Chancay representa um grande passo nesse sentido para a competitividade com outros países. Isto dá-nos uma vantagem como indústria a nível global, poder abastecer qualquer mercado em tempos de trânsito mais curtos permite-nos chegar aos mercados com fruta em óptimas condições e isso ajuda a impulsionar o consumo”, comentou Vegas.

Apesar deste aumento, a indústria agrícola peruana é relativamente jovem e permanece longe do seu concorrente vizinho, o Chile. Naquele país, as exportações agrícolas para a China em 2023 atingiram US$ 3.042 milhões, segundo dados da Secretaria de Estudos e Políticas Agrárias (Odepa).

Os embarques de frutas chilenas concentraram-se em cerejas (56%), ameixas (18%), uvas de mesa (12%) e nectarinas (6%) durante 2023.

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