Os mirtilos peruanos entram em uma nova fase, com frutas de alta qualidade como protagonistas.
A campanha de 2025/26 de mirtilos No Peru, a temporada encerrou com resultados positivos em termos de rentabilidade, apesar dos eventos climáticos de maio e junho que afetaram ligeiramente os volumes projetados. Essa é a conclusão de Julio Zavala, gerente geral da Fall Creek Peru, em uma avaliação abrangente da temporada e da direção que o setor tomará nos próximos anos.
Segundo Zavala, o impacto das altas temperaturas durante os meses de floração prejudicou os produtores que chegaram atrasados a esse período crítico. "Se você tem a genética certa, o ambiente certo e o manejo agronômico certo, pode ter rentabilidade garantida", destaca ele, identificando esse triângulo como o fator determinante no desempenho de cada produtor. As semanas de pico de exportação, concentradas por volta da 40ª semana, se estenderam por três ou quatro semanas, em comparação com a semana de pico usual, o que se mostrou favorável para o mercado.
As regiões de Lambayeque e La Libertad mantêm sua hegemonia, contribuindo com aproximadamente 75% do volume exportado, enquanto Ica ganha destaque como uma nova área de crescimento, em parte devido à sua menor exposição ao fenômeno El Niño.
Um dos episódios mais delicados da temporada foi a detecção de uma praga quarentenária em paletes de fibra de coco provenientes da Índia, país responsável por 80% do fornecimento peruano desse substrato. O alerta gerou incerteza em novos projetos de plantio, embora o impacto real tenha sido limitado. "A reação do SENASA foi vital", destaca Zavala, ressaltando a rapidez com que o órgão autorizou as empresas fornecedoras que cumpriram os protocolos de fumigação na origem. O efeito prático se limitou a um atraso de um ou dois meses em alguns projetos, com impacto direto no fluxo de caixa daquele primeiro ano de produção. O Peru está trabalhando no desenvolvimento de uma indústria local de fibra de coco, embora ainda esteja em estágios iniciais em comparação com grandes produtores globais como Índia, Sri Lanka e Brasil.

© Fall Creek Farm and Nursery, Inc.
A mudança varietal está progredindo rapidamente. Zavala destaca que variedades como Sekoya Pop e Apex estão liderando a transição para tamanhos maiores — acima de 18 ou 20 milímetros — com rendimentos superiores a 30 toneladas por hectare. "Se uma nova variedade não apresentar peso, não estamos falando de nada", afirma ele categoricamente. A fórmula que ele descreve é simples: volume mais qualidade resulta em um preço premium em mercados diferenciados.
Em relação ao mapa varietal para 2030, Zavala estima que cerca de 10.000 hectares — atualmente plantados com variedades como Ventura e Biloxi — continuarão a ser convertidos. Ele prevê que cerca de 60% a 70% da produção peruana será de frutas premium até essa data.
Atualmente, o Peru destina 50% de suas exportações aos Estados Unidos, 30% à Europa, 15% à China e os 5% restantes ao Reino Unido e outros destinos. As negociações em curso para obter acesso ao Japão e, posteriormente, à Coreia do Sul, apontam para uma diversificação que o setor considera estratégica.

© Fall Creek Farm and Nursery, Inc.
Em relação ao consumidor chinês, Zavala é claro: "O que eles querem principalmente é uma fruta com baixa acidez." A janela de oportunidade natural do Peru nesse mercado é entre julho e setembro, quando não há produção local premium disponível.
Zavala não tem dúvidas: "Estamos na segunda onda e ainda há tempo para entrar neste setor." O segmento de snacks — onde o premium é sinônimo de firmeza, sabor e experiência do consumidor — está crescendo a uma taxa de 7 a 8% ao ano nos EUA e em dois dígitos na Europa, sem sinais de excesso de oferta no curto prazo para quem opta pela linha premium.
"Eficiência, tecnologia e a genética certa serão, na opinião dele, os fatores que definirão os líderes do setor nos próximos anos", conclui.
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