A nova tarifa de 12.5% imposta pelos EUA afeta os mirtilos peruanos e ameaça sua liderança global.

O novo cenário tarifário obriga o setor a rever custos, destinos e estratégias comerciais num mercado altamente dependente dos Estados Unidos.

Por: Natalia Rubio Iversen

O setor de exportação agrícola do Peru acaba de sofrer o seu maior golpe em décadas. O governo dos Estados Unidos implementou oficialmente uma tarifa de 12.5%, pondo fim abruptamente aos benefícios históricos da "Tarifa Zero" estabelecidos no Acordo de Livre Comércio (ALC) bilateral. Essa medida deixa o mirtilo, principal produto agrícola que impulsionou o Peru ao topo do mercado agrícola global, em uma posição extremamente vulnerável.

Um golpe direto no coração do agronegócio.

A decisão do governo Trump substitui a tarifa temporária de 10% que estava em análise e baseia-se em uma política agressiva de revisão das cadeias de suprimentos globais. Embora as negociações do Ministério do Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) tenham conseguido salvar e excluir mais de 2000 itens tarifários peruanos da tributação, os três principais pilares do setor agrícola nacional não tiveram a mesma sorte: mirtilos, uvas frescas e aspargos estarão sujeitos à tarifa integral.

O impacto nas empresas nacionais é imediato e profundo. De acordo com projeções da Câmara de Comércio de Lima (CCL) e da ComexPerú, as implicações críticas para o setor se concentram em três pontos:

Em primeiro lugar, a perda de competitividade. O imposto de 12.5% aumentará o custo da importação de frutas peruanas, obrigando os produtores a absorver as perdas ou a aumentar os preços, perdendo assim terreno para os concorrentes diretos.

Além disso, existe uma dependência crítica do mercado norte-americano; os Estados Unidos absorvem atualmente 57% do volume total de mirtilos O fato de o Peru produzir uma quantidade tão grande de frutas frescas implica em desviar essa mesma quantidade para outros destinos em curto prazo, algo que é logisticamente quase impossível.

Por fim, terá um impacto financeiro multimilionário: somente no primeiro semestre deste ano, as remessas combinadas de oxicoco e as uvas geraram mais de US$ 1100 bilhão em receita. A nova tarifa se traduz em centenas de milhões de dólares em sobretaxas fiscais diretas sobre o fluxo de caixa das empresas.

O gigante do "ouro azul" posto à prova

Essa tempestade comercial se desencadeia justamente quando o Peru detém o título indiscutível de maior exportador mundial de mirtilos, concentrando mais de 41% do fornecimento mundial, com remessas que ultrapassam 412.000 toneladas anualmente.

As grandes corporações que lideram o setor agrícola no país enfrentam agora o desafio de reconfigurar urgentemente seus planos operacionais e financeiros. Analistas do setor agrícola descrevem esse cenário como um "choque tarifário sem precedentes" que forçará uma drástica reestruturação de custos nos vales de La Libertad, Ica, Lambayeque e Piura.

As cartas estão na mesa: diversificação ou crise.

Diante do novo cenário internacional, as associações agrícolas e os especialistas exigem do Poder Executivo uma estratégia de contingência agressiva, focada em duas vias de escape: uma mudança imediata em direção à Ásia e à Europa e a redução dos custos internos.

Os mirtilos peruanos têm demonstrado uma resiliência notável diante de crises climáticas severas, como o El Niño. No entanto, essa nova barreira tarifária imposta por seu principal comprador testará verdadeiramente a capacidade de adaptação do setor que revolucionou a agricultura peruana.

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fonte
Consultoria Blueberries

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