Os principais operadores globais estão acelerando as aquisições logísticas e expandindo sua presença na América Latina.

A ICTSI, a CMA CGM/CEVA e a Descartes destacaram-se por reforçarem as suas capacidades na região.

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) em logística apresenta sinais de maior atividade, com os principais players buscando expandir sua escala, incorporar novas capacidades e ampliar seu alcance geográfico. Essa é a conclusão do relatório "Julho de 2026: Global Logistics M&A Recap", elaborado pela Logisyn Advisors em parceria com a Transport Intelligence (TI). O relatório especifica que a Europa e a América do Norte representaram 42% das aquisições registradas no mês, enquanto a América do Sul teve uma participação menor, com duas transações.

No entanto, diversas transações envolvem diretamente a América Latina ou empresas globais com presença significativa na região.

A ICTSI expande sua integração logística no Brasil.

Uma das operações ligadas à América Latina corresponde à International Container Terminal Services Inc. (ICTSI), que adquiriu uma operação logística no Brasil com o objetivo de fortalecer sua oferta por meio de soluções ferroviárias e multimodais, buscando melhorar a eficiência e reduzir gargalos.

A operação faz parte da estratégia dos operadores portuários para expandir suas atividades para além dos terminais e fortalecer a conectividade com o interior.

A ICTSI mantém presença no Brasil, México, Equador, Colômbia, Argentina e Honduras, com foco no desenvolvimento da conectividade logística regional.

No Brasil, o Terminal Rio Brasil, no Porto do Rio de Janeiro, adicionou recentemente dois novos guindastes de doca capazes de movimentar navios de até 20.000 TEUs, enquanto a Tecon Suape continua a incorporar tecnologia.

Descartes adquire a empresa chilena Drivin

Outra operação com impacto direto na região foi a aquisição, pelo Grupo Descartes Systems, da Drivin, empresa chilena especializada em tecnologia para gestão de transportes e última milha, com soluções para otimização de rotas, despacho, execução de entregas e visibilidade operacional em tempo real.

O relatório identifica a América Latina como um mercado em crescimento para a Descartes e observa que a Drivin permitirá que a empresa expanda suas capacidades de gestão de desempenho de frota.

Descartes indicou que a operação busca expandir suas capacidades logísticas de última milha com base em inteligência artificial (IA) e fortalecer sua rede logística global por meio de uma plataforma com presença na região.

A transação também reflete o crescente valor estratégico da tecnologia logística nos processos de consolidação, particularmente na otimização de rotas, gestão de frotas, visibilidade, automação e entrega da última milha.

A CMA CGM se torna um grupo de logística integrado.

Entre as maiores transações listadas no relatório está a aquisição da FedEx Supply Chain pela CMA CGM por US$ 1.400 bilhão. Este negócio permitirá à CEVA Logistics triplicar suas operações de logística contratada na América do Norte, alcançando aproximadamente 150 centros de distribuição e fortalecendo a diversificação do grupo em fluxos de receita logística menos expostos às flutuações do frete marítimo.

Embora a operação esteja concentrada na América do Norte, sua relevância para a América Latina está ligada ao alcance global da estratégia da CMA CGM e da CEVA. De fato, a CEVA possui uma extensa rede terrestre no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e América Central, com serviços de transporte doméstico e internacional e conexões multimodais.

A isso se soma a expansão da infraestrutura portuária da CMA CGM, incluindo o progresso alcançado até 2025 na aquisição da Santos Brasil, operadora de ativos portuários e logísticos no Brasil, incluindo a Tecon Santos.

A estratégia permite combinar transporte marítimo, terminais portuários, armazenagem, logística contratual e transporte terrestre em uma mesma plataforma.

Desde a expansão até a aquisição de capacidades.

O relatório da Logisyn e da Ti identifica uma mudança nas prioridades dentro dos processos de consolidação do setor. Os compradores estão dando maior atenção à tecnologia, à penetração no mercado, à integração, à gestão e aos serviços complementares, em vez de simplesmente reduzir custos.

Essa tendência também é observada na logística ligada ao comércio eletrônico, onde as aquisições permitem a rápida incorporação de recursos como redes de última milha, plataformas tecnológicas, serviços alfandegários, logística e gestão de devoluções.

Em julho, o software representou 18% das aquisições, enquanto o agenciamento de cargas, a entrega de última milha e o transporte representaram 15% cada. Juntos, esses três últimos segmentos representaram 45% das transações.

América Latina ainda com baixa participação.

Embora a região represente uma pequena parcela do volume global de fusões e aquisições, transações como as da ICTSI, Descartes e CMA CGM demonstram que a América Latina faz parte das estratégias de expansão de grandes grupos internacionais.

Mais do que o número de transações, destacam-se as capacidades procuradas: conectividade ferroviária e multimodal, infraestrutura portuária, tecnologia de última milha, gestão de frotas, armazenagem, logística contratada e soluções integradas para a cadeia de suprimentos.

Para a região, essa tendência pode favorecer a formação de operadores capazes de gerenciar uma parcela maior da cadeia logística, desde o porto e o transporte internacional até o armazenamento, a distribuição e a entrega final.

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