JP Morgan: Ser tão dependente de exportar para a China torna-se uma fonte de vulnerabilidade
A situação na China parece complicada. O diretor global de Pesquisa de Mercados Emergentes do JP Morgan, Luis Oganes, destacou que os economistas continuam reduzindo as projeções de crescimento para o país asiático.
"Economistas seguem reduzindo projeções de crescimento, já estamos um pouco abaixo de 5% para este ano. Estávamos acostumados com a China crescendo entre 8% e 10%, embora esse nível de taxas de crescimento claramente não fosse sustentável e provavelmente não veremos isso por muito tempo.", explicou durante o Fórum Econômico 2023, organizado pela AmCham Peru.
Nesse contexto, destacou que para a América Latina -e para a economia peruana- o fato de depender tanto da exportação de commodities para a China torna-se uma fonte de vulnerabilidade.
“Dito isso, o que vimos é que a demanda da China por commodities não parece estar necessariamente, pelo menos por enquanto, diretamente ligada ao crescimento. Parece que a China está acumulando seu estoque de commodities devido a tanta incerteza política, geopolítica etc.ele declarou.
Para Oganes, parte da resiliência de que se fala na América Latina, "ou que não é pior do que é", é que a demanda por commodities não acompanhou a desaceleração da economia chinesa. Mas "Não sabemos quanto tempo isso vai durar, deve ter algum limite".
Exportações para a China
A importância da China para o Peru é fundamental. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações peruanas somaram US$ 30,890 milhões, segundo informações da Associação de Exportadores (Adex).
Desse montante, os embarques para a China totalizaram US$ 11,336.8 milhões até junho, um aumento de 10.7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quer dizer, o país asiático concentrou 36.7% do total.
“Em junho, as exportações para todos os continentes diminuíram, com exceção da Ásia, que aumentou 13.4%. Essa taxa positiva foi explicada principalmente pelos maiores embarques para China (9.7%), Japão (64.1%), Índia (42.5%) e Emirados Árabes Unidos (35.3%)”, detalha um último relatório da Adex.