Os riscos do crescimento mais lento da China que ameaçam a economia peruana

Este ano, a segunda maior economia do mundo não está apenas enfrentando problemas estruturais, mas também a ameaça de uma guerra comercial com os EUA. Se a desaceleração da China piorar, haverá um impacto significativo no crescimento do PIB local.

Embora a atenção do mundo esteja atualmente voltada para os Estados Unidos, ainda é crucial que o Peru não perca de vista o desempenho da economia chinesa, que atualmente gera incerteza.

Um terço das exportações peruanas são destinadas à segunda maior economia do mundo. Segundo estimativas do Ministério da Economia e Finanças (MEF), cada ponto de declínio no PIB da China causaria um declínio na economia local de 0.82 ponto percentual. “O que acontece com a China é extremamente importante para o Peru”, diz Daniel Velandia, economista-chefe da Credicorp Capital.

O fato é que as projeções para 2025 para a economia chinesa apontam para números inferiores aos 5% registrados em 2024. O FMI antecipa uma expansão de 4.6%, enquanto o BBVA fica em 4%. “A China já deixou para trás os tempos de taxas de crescimento de 8%, 9% ou 10% e agora está em um processo de desaceleração, mais por problemas estruturais do que cíclicos”, explica Hugo Perea, economista-chefe para o Peru do BBVA Research.

O gigante asiático está atualmente enfrentando dificuldades em seus mercados imobiliário e financeiro, bem como excesso de oferta em sua economia. E a isso devemos acrescentar o risco de uma guerra comercial com os Estados Unidos. Esse impacto ainda está para ser visto, mas no pior cenário poderíamos estar falando de tarifas de 60%, o que custaria à China um ponto do PIB, segundo estimativas do BBVA. Esse crescimento mais lento, por sua vez, impactaria a demanda por cobre e, consequentemente, seu preço, conforme alertou o ex-ministro da Economia, Luis Castilla.

Os cenários mais pessimistas, com a China crescendo abaixo de 4%, sem dúvida teriam um impacto severo na economia peruana. No entanto, espera-se que as autoridades chinesas anunciem novas medidas econômicas fiscais e monetárias em março. "Acredito que eles farão tudo o que estiver ao seu alcance para evitar ou mitigar um declínio no crescimento econômico", diz Castilla.

Por sua vez, Elmer Cuba, sócio da Macroconsult, sustenta que hoje o risco que uma guerra comercial entre EUA e China representa para o Peru é mais limitado. A crescente demanda por cobre para projetos de eletromobilidade sustentaria o preço do metal, disse ele.

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