Luis Miguel Vegas: “O Peru é um aliado estratégico dos EUA”
Durante o 39º Seminário Internacional do Mirtilo, realizado em Lima, um dos temas mais debatidos entre os líderes do setor foi a transformação do cenário competitivo global para o mirtilo. Nesse contexto, Luis Miguel Vegas, gerente geral da Proarándanos, abordou os desafios enfrentados pelo setor em um momento em que simplesmente expandir a produção já não é suficiente para garantir o sucesso comercial.
Segundo o executivo, o setor entrou em uma fase em que a competição entre países está sendo redefinida sob novos parâmetros.
“Hoje, os países não competem mais apenas em volume, mas em eficiência geral”, observou Vegas durante sua participação na reunião.
Negócios cada vez mais estratégicos
O rápido crescimento da produção global de mirtilos elevou o padrão para os exportadores. Para Vegas, o desafio atual não é apenas produzir mais frutas, mas também desenvolver a capacidade estratégica para gerenciar um ambiente cada vez mais complexo e incerto.
“A indústria do mirtilo cresceu exponencialmente nos últimos anos. Já não basta produzir e colher na melhor época; é preciso ser estratégico para chegar ao mercado no momento certo”, explicou ele.
Essa abordagem estratégica também envolve a preparação para fatores externos que os produtores não podem controlar, mas que impactam diretamente o negócio.
Entre eles, ele mencionou fenômenos climáticos como o El Niño, que podem alterar significativamente as condições de produção, bem como fatores geopolíticos que afetam a logística e os custos de insumos.
“A crise que estamos vendo no Oriente Médio pode ter um impacto direto nos custos de frete e nos suprimentos necessários para as operações. É por isso que o setor precisa ser muito disciplinado e estratégico”, disse ele.

Luis Miguel Vegas: Liderança em números: Evolução da matriz de produção e comércio do Peru na última temporada. © Blueberries Consulting
Un parceiro para os EUA
Outro fator que preocupa o setor é o cenário do comércio internacional, especialmente as medidas tarifárias da administração Trump nos EUA, que podem afetar a competitividade dos exportadores.
“Este é um golpe direto nos resultados das empresas, que esperamos que possa ser revertido em curto prazo. Prevemos que esta medida adotada pelo governo americano termine por volta de julho, para que possamos retornar às condições anteriores, com tarifas zero”, afirmou.
No entanto, o executivo enfatizou que a relação entre o Peru e os Estados Unidos no mercado de mirtilo deve ser entendida mais como uma aliança estratégica.
“O mercado americano não tem produção suficiente para atender a toda a demanda de consumo da sua população”, explica o executivo, argumentando que também se trata de incentivar hábitos alimentares saudáveis, portanto, para que esse consumo aumente, é necessário um maior investimento em alimentação saudável. parceiro Assim como o Peru, isso confirma e enfatiza que o desenvolvimento da indústria peruana beneficia não apenas os exportadores locais, mas também toda a cadeia logística e comercial dos EUA.
Além disso, ele afirma que “cerca de 30% dos mirtilos produzidos no Peru contam com capital americano. São investidores dos Estados Unidos que se comprometeram a desenvolver a cultura no país”, indica.

Luis Miguel Vegas: Liderança em números: Evolução da matriz de produção e comércio do Peru na última temporada. © Blueberries Consulting
Leia o mapa competitivo corretamente.
Para Las Vegas, entender a evolução do mercado internacional é hoje uma das principais ferramentas para a tomada de decisões estratégicas.
Nesse sentido, ele destacou a importância de eventos como o Seminário Internacional do Mirtilo, que permitem o compartilhamento de informações e a análise de tendências globais.
“É importante que o setor esteja bem informado. Observar como outros países estão crescendo em áreas plantadas ou exportações nos ajuda a entender a posição de cada um no cenário global”, explicou ele.
Um dos aspectos que mais chama a atenção é o desenvolvimento do mercado chinês, que nos últimos anos tem apresentado um crescimento significativo tanto no consumo quanto na produção local. “A China é um mercado muito interessante, com um consumidor sofisticado e exigente. Mas também precisamos entender qual será o papel da produção chinesa no futuro e como isso poderá afetar a participação atual do Peru no mercado”, observou.

Luis Miguel Vegas: Liderança em números: Evolução da matriz de produção e comércio do Peru na última temporada. © Blueberries Consulting
Novos mercados no radar
Embora os Estados Unidos continuem sendo o principal destino dos mirtilos peruanos, Vegas acredita que o país deveria explorar de forma mais decisiva novos mercados com potencial de crescimento. Entre eles, ele mencionou o Brasil e a Índia, duas grandes economias que poderiam representar oportunidades significativas para o setor.
“O Brasil é um mercado enorme bem ao lado, que poderia ser muito interessante para os mirtilos peruanos”, comentou. A Índia, por sua vez, surge como um destino de alto potencial devido ao tamanho de sua população, embora apresente desafios logísticos significativos.
“A Índia tem uma população gigantesca. Mesmo que nos concentremos apenas em um segmento premium de 80 milhões de pessoas, já estamos falando de um mercado equivalente a um país inteiro”, explicou. No entanto, ele alertou que o desenvolvimento desse mercado dependerá muito da capacidade logística para abastecê-lo de forma eficiente.
“Não basta abrir um mercado; também é preciso avaliar a eficiência da logística para chegar lá”, disse ele.

Luis Miguel Vegas: Liderança em números: Evolução da matriz de produção e comércio do Peru na última temporada. © Blueberries Consulting
Até onde o Peru pode crescer?
Por fim, o executivo abordou uma das perguntas mais frequentes no setor: qual é o limite máximo de produção de mirtilos peruanos? Segundo Vegas, a resposta ainda não está clara.
“Não sabemos qual é o limite do Peru”, reconheceu ele.
Atualmente, a área plantada continua a expandir-se a uma taxa de aproximadamente 10% ao ano, o que inevitavelmente levará a maiores volumes de fruta no mercado. Nesse cenário, o principal desafio será gerir esse crescimento de forma inteligente para evitar desequilíbrios entre a oferta e a procura.
“Temos que navegar campanha por campanha, esperando que o consumo acompanhe a taxa de crescimento da oferta”, concluiu ele.

Luis Miguel Vegas © Consultoria de Mirtilos
Confira a entrevista com Luis Miguel Vegas durante o XXXIX Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026: