Marrocos reorganiza sua temporada de mirtilos: pressão na Rússia e oportunidade nos Estados Unidos.
Os sucessivos atrasos na temporada de mirtilo marroquino, principalmente devido às condições climáticas, estão complicando a comercialização e forçando os exportadores a operar em um período atípico. Em meio à intensa concorrência, surgem sinais de mudanças no mercado, apresentando tanto riscos quanto oportunidades. Mehdi Benchekroun, Diretor-Geral da DMB & Co., compartilha sua perspectiva sobre a temporada.
As dificuldades de produção — ondas de calor, períodos de frio intenso, tempestades e inundações — têm atrasado repetidamente o pico da colheita, reduzindo a vantagem habitual de Marrocos na sua época de cultivo. “Normalmente, o pico da colheita em Marrocos ocorre logo após o de países latino-americanos como o Peru, e logo antes do da Espanha, o que nos proporcionava condições comerciais favoráveis. No entanto, devido aos problemas de produção desta temporada e às colheitas tardias na América Latina, encontramos-nos num mercado com oferta abundante e vendas lentas”, explica.

Mehdi Benchekroun, CEO da DMB & Co © DMC&co
“A fruta está disponível em grandes volumes no mercado europeu”, acrescenta Benchekroun, que trabalha principalmente com os mercados holandês e alemão. Nesse contexto, ele observa que origens alternativas, como o Egito, também estão ganhando terreno, com crescimento sustentado.
Além da pressão na Europa, outra frente significativa está surgindo. "Os mirtilos marroquinos parecem estar perdendo terreno em um mercado igualmente importante, a Rússia, nesta temporada", afirma. Segundo sua análise, apesar da demanda russa, os compradores estão optando pela China, que tem capacidade para exportar mirtilos gigantes de tamanho 22+ a preços que Marrocos não consegue igualar. Isso é agravado pelas interrupções nos aeroportos que ligam a Rússia e pelo aumento dos custos de transporte desde o início de março.

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Ao mesmo tempo, Benchekroun identifica um elemento positivo: as barreiras enfrentadas pelos produtos de origem latino-americana no mercado dos EUA durante as duas últimas temporadas, no contexto da guerra tarifária, abriram um espaço que foi rapidamente preenchido pelos exportadores marroquinos.
“Os produtores marroquinos se estabeleceram rapidamente no mercado americano, apesar das exigências rigorosas e das complexidades logísticas. Os compradores americanos descobriram que Marrocos oferece frutas de alta qualidade, processos de produção que atendem às normas da FDA, uma cadeia de suprimentos robusta e um ecossistema de atores públicos e privados muito atentos às necessidades e mudanças do mercado”, afirma.

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“Na DMB & Co., especialistas em exportação de frutas e vegetais desde 2017 e de mirtilos desde 2021, atuando tanto na prospecção quanto na exportação, e também como consultores para grupos que investiram no setor em Marrocos, permanecemos abertos a todas as oportunidades. Acreditamos no potencial do mercado russo, na fidelidade de muitos compradores europeus à origem marroquina e também nos novos desenvolvimentos do mercado americano”, conclui Benchekroun.
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