Oportunidade ou ameaça? Lições de negócios do boom do mirtilo na China
Entre 2023 e 2025, a China aumentou suas exportações de mirtilos frescos de 1.011 toneladas para 7.098 toneladas. Esse salto não é apenas quantitativo, mas também revela uma reconfiguração temporal e geográfica da oferta.
A temporada tradicional de março a junho continua sendo o núcleo da produção, mas 2025 apresenta picos iniciais em janeiro e fevereiro, recuperações tardias em setembro e atividade sustentada no último trimestre. Ao mesmo tempo, a diversificação dos destinos — com crescimento notável em Hong Kong, Malásia, Singapura, Rússia, Quirguistão, Indonésia e Vietnã — está transformando o cenário comercial e logístico da região.

Em 2025, os principais destinos que concentraram o crescimento foram Hong Kong (2.395 t), Malásia (1.128 t) e Singapura (928 t). Alguns mercados emergentes apresentaram saltos estruturais, como o Quirguistão, que passou de não ter participação em 2023 para um volume de 706 t em 2025, enquanto o Vietnã subiu de 57 t em 2024 para 182 t em 2025.
A Rússia, por sua vez, registrou 868 toneladas em 2025, com um episódio pontual de alta demanda em setembro que explica em parte o aumento tardio da curva.
Esses movimentos indicam dois fenômenos simultâneos: por um lado, a capacidade da China de abastecer os centros regionais com volumes crescentes; e, por outro, a abertura de rotas e acordos que permitem que destinos antes marginais agora absorvam volumes significativos. Para compradores e distribuidores, isso significa maior oferta e janelas de venda alternativas; para concorrentes externos, implica pressão sobre os preços e necessidade de diferenciação.
Janelas produtivas e sazonalidade prolongada
Os dados mensais de 2023 a 2025 mostram que o principal período de demanda permanece entre março e junho, mas 2025 apresenta uma sazonalidade mais acentuada. Os meses com maior volume em 2025 foram: abril (1.657 t), março (919 t), maio (1.165 t) e junho (923 t). No entanto, aumentos significativos foram observados em janeiro (130 t) e fevereiro (375 t), e um salto atípico em setembro (233 t). Dezembro também apresentou atividade significativa (559 t), sugerindo que a oferta chinesa agora cobre períodos do ano que antes eram deficitários na região.
A explicação técnica reside na coexistência de bases de produção com calendários diferentes: províncias subtropicais como Yunnan, Guizhou e Sichuan oferecem seus produtos mais cedo, enquanto províncias temperadas do nordeste, como Liaoning e Shandong, mantêm uma colheita mais tardia. Essa combinação permite à China "moderar" sua temporada e oferecer frutas em períodos que antes dependiam de outros hemisférios.

Fonte: Relatório IBO 2025, adaptado pela Blueberries Consulting
O valor adicionado para a campanha de 2025 reflete a heterogeneidade dos mercados. O valor adicionado total declarado para 2025 ascende a US$ 50.823,24 mil, com um preço unitário médio ponderado aproximado de US$ 7,16/kg. No entanto, os preços variam bastante consoante o destino: a Indonésia (US$ 12,16/kg) e a Tailândia (US$ 10,26/kg) registam os valores unitários mais elevados, enquanto Macau (US$ 1,12/kg) e o Quirguistão (US$ 1,93/kg) apresentam preços muito baixos. Esta dispersão sugere diferenças na qualidade, apresentação, canais de comercialização (reexportação ou vendas por grosso) e poder de negociação local.
Volume total: 7.098 t
Valor total: 50.823,24 mil dólares americanos
Preço unitário médio ponderado: ≈ US$ 7,16/kg
A temporada prolongada e os destinos diversificados apresentam desafios e oportunidades logísticas. Portos do sul e do leste, como Nansha/Guangzhou, Xangai e Ningbo, são fundamentais para o abastecimento do Sudeste Asiático, Hong Kong e Singapura. Portos do norte, como Qingdao e Tianjin, facilitam as exportações para a Rússia e a Ásia Central.
Algumas recomendações práticas derivadas dos dados:
- Compradores: Planeje as compras aproveitando as janelas de tempo mais cedo e mais tarde; use o preço médio ponderado como referência para simulações de custos.
- Exportadores concorrentes: Priorize a diferenciação por meio da qualidade, certificações e apresentação para manter preços mais altos em comparação com as ofertas do mercado de massa.
- Operadores logísticos: Reforçar a capacidade da cadeia de frio, diversificar portos e rotas e planear capacidade adicional em meses atípicos para evitar perdas e atrasos.
Fonte de dados geral: Dados de comércio global da Agronometrics — Adaptados pela Blueberries Consulting.