Mercado e genética:

Pablo Cortés: “As variedades premium estão apresentando uma vantagem sustentada no preço dos mirtilos”

O gerente de vendas da Agronometrics apresentou em Lima o andamento de um estudo que analisa o desempenho de variedades de mirtilo no mercado peruano. Os resultados preliminares mostram um aumento contínuo na participação de mercado das variedades premium, juntamente com preços FOB consistentemente acima da média, um sinal que pode influenciar futuras decisões de substituição de variedades.

No 39º Seminário Internacional de Mirtilo, realizado em Lima, um dos temas que mais chamou a atenção do setor foi a evolução comercial das variedades de mirtilo e como o mercado está começando a distinguir mais claramente entre frutas comuns e premium. Nesse contexto, Pablo Cortés, Gerente de Vendas da Agronometrics, conversou com a Blueberries Consulting e compartilhou os resultados iniciais de um estudo focado na avaliação do desempenho varietal no Peru.

Com base na análise de dados de exportação, a pesquisa visa ir além das tendências gerais de volume e preço, observando como variedades específicas estão conquistando um posicionamento diferenciado no mercado. Nesta entrevista, Cortés discute as descobertas preliminares, o valor estratégico dessas informações e os próximos passos para aprofundar o estudo.

—Em que consiste este estudo e o que o diferencia das análises realizadas anteriormente?

Temos sempre orgulho em compartilhar as informações que processamos ano após ano, e desta vez quisemos ir um passo além. Ao contrário de estudos anteriores, nos quais nos concentramos principalmente em tendências de mercado, volumes de exportação e preços, desta vez buscamos uma análise mais específica.

O que fizemos foi avaliar o desempenho das variedades de mirtilo no mercado peruano, diferenciando entre variedades padrão e premium. Esse nível de detalhamento nos permite entender melhor como está o desempenho da oferta de variedades atualmente.

—Como você obteve essas informações?

Analisamos o conjunto de dados fornecido pela SUNAT, informações que são registradas manualmente no momento da exportação. A partir desse conjunto, realizamos a limpeza e extração de dados, o que nos permitiu obter resultados bastante interessantes, mesmo que o projeto ainda esteja em um estágio relativamente inicial.

Este trabalho possibilitou diferenciar mais claramente o comportamento dos preços entre uma variedade padrão e uma premium.

—Quais são os principais resultados que você observou até agora?

Uma das descobertas mais significativas é que as variedades premium têm aumentado sua presença no mercado. Seus volumes cresceram de forma constante nas últimas cinco ou seis temporadas, e isso é um sinal positivo para o setor.

Em paralelo, as variedades padrão estão mostrando uma perda gradual de destaque, marcando uma transição bastante clara na composição varietal.

—E o que acontece especificamente em termos de preços?

Nesse aspecto, também, a diferença é muito clara. Ao longo das temporadas analisadas, e particularmente na última temporada concluída, as variedades premium apresentaram preços FOB acima da média em todos os meses avaliados.

Isso as coloca consistentemente em uma categoria superior em comparação com as variedades padrão, que durante grande parte do período permaneceram abaixo da média.

—Existe algum dado que ajude a quantificar essa diferença?

Sim. Na safra de 2024/25, a última concluída, observou-se uma diferença de até US$ 2,28 por quilo em relação às variedades padrão.

Trata-se de uma lacuna significativa e, portanto, constitui um sinal muito importante para entender como o mercado está reagindo.

—Qual é a sua interpretação dessa diferença?

O que estamos vendo é que o consumidor final está reconhecendo frutas de maior qualidade e, de certa forma, recompensando-as. Eles as preferem e estão dispostos a pagar mais por elas.

Do ponto de vista da indústria, esses dados são muito reveladores, pois mostram que a diferenciação varietal existe não apenas na oferta, mas também na percepção e na valoração do mercado.

—Com esses resultados, que decisões ou medidas poderiam começar a ser discutidas no setor?

O primeiro ponto a compreender é que este estudo fornece uma parte muito importante da história, mas não a história completa. Aqui, estamos analisando o desempenho de preços, não a lucratividade total. Mesmo assim, é uma ferramenta muito útil para identificar quais variedades apresentam o melhor desempenho comercial.

Isso pode se tornar uma informação relevante para decisões futuras, especialmente ao considerar estratégias de substituição de variedades.

—Como você espera melhorar esse trabalho no futuro?

A ideia é fornecer essas informações ao longo do tempo. Queremos continuar a disponibilizar esses dados ano após ano, pois isso nos permitirá identificar os ciclos varietais: por quanto tempo uma variedade permanece em uma categoria premium, quando começa a perder essa posição ou como evolui no mercado.

Além disso, estamos trabalhando para ampliar a abrangência do estudo e tornar o sistema cada vez mais robusto.

—Qual é a abrangência dessa cobertura hoje em dia?

Atualmente, temos uma representação de dados próxima a 20%, e nosso objetivo é expandi-la. Uma das vias que queremos explorar é complementar nossos esforços com o SENASA, que possui mais informações que o SUNAT, e, ao mesmo tempo, avançar rumo a uma maior automação do processamento.

Isso nos permitiria melhorar tanto a escala quanto a precisão da análise.

—Quando falamos em substituição de variedades, surge por vezes a preocupação de saber se isso implica a perda de variedades mais tradicionais. Qual a sua opinião sobre isso?

Não vejo isso como um risco, mas sim como uma oportunidade. O mercado e o consumidor estão enviando sinais muito claros sobre o que valorizam, e as empresas de genética estão respondendo precisamente a essa demanda.

Hoje em dia, há uma forte ênfase na qualidade, no sabor e em atributos que, em última análise, se traduzem na preferência do consumidor. Nessa perspectiva, a mudança de variedade reflete uma evolução no mercado.

—Existem exemplos que ajudem a compreender melhor esse processo?

Sim, no Chile há um exemplo muito claro com os tomates. Durante muito tempo, existiram variedades muito reconhecidas pelo seu sabor, como o tomate Limache. Mais tarde, a indústria passou a priorizar variedades com maior durabilidade, mais adequadas à venda em supermercados, e parte daquela característica original se perdeu.

Hoje, porém, variedades de nicho estão ressurgindo, com sabores e cores mais distintos. São processos diferentes, claro, mas demonstram que as culturas passam por ciclos e que esses ciclos devem ser analisados ​​em relação a cada setor.

—Qual o próximo passo para este estudo?

Continuar coletando dados. Esse é o próximo passo imediato. Queremos continuar expandindo o banco de dados e apresentar resultados atualizados da última temporada em relatórios futuros.

O próximo passo é continuar a aprofundar a investigação, porque os resultados que estamos a observar até agora são realmente muito interessantes.

—Como a indústria pode ter acesso a essas informações?

O acesso a essas informações é gratuito através do nosso site. Nosso objetivo é tornar essa informação o mais transparente possível para o público.

O link para download do relatório está disponível no site da Agronometrics, juntamente com um código QR que dá acesso a atualizações de informações públicas. Embora alguns dados se refiram aos melhoristas e patrocinadores, as principais conclusões sobre a diferenciação varietal estão prontamente disponíveis.

Confira a entrevista completa em nosso canal do YouTube. Blueberries TV

fonte
Consultoria BlueBerries

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