A Tailândia pode se tornar o centro asiático para produtos peruanos?
A Tailândia pode e deve ser um ponto estratégico para o Peru na Ásia. Essa é a convicção de Mario Salazar, presidente do conselho da Agrícola Chavín, após participar da recente feira THAIFEX-Anuga Asia, em Bangkok. "Este país jovem e dinâmico, de 70 milhões de habitantes, com um foco claro nas exportações, está consolidando sua posição como centro de distribuição agroalimentar do Sudeste Asiático", observa.
E acrescenta: "E se pensarmos maior? E se olharmos para a Tailândia não apenas como um comprador, mas como uma plataforma regional para os nossos produtos? Foi isso que o Grupo AJE, da família Añaños, pensou há 20 anos."
Para Salazar, as razões para considerar a Tailândia como um centro regional são claras:
1. Localização privilegiada: Situada no coração do Sudeste Asiático, a Tailândia está eficientemente conectada aos 10 países da ASEAN (700 milhões de consumidores). Existem gigantes como a China e a Índia. Também mercados desenvolvidos como Japão, Coreia e Austrália.
2. Infraestrutura logística avançada: Possui o porto de Laem Chabang (o maior do país), o Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, com significativa capacidade de carga; e, finalmente, o ambicioso projeto do Corredor Econômico Oriental (CEE), que promove a inovação e a conectividade regional.
3. Poderosa rede de acordos comerciais: a Tailândia faz parte de tratados como o RCEP (a maior área de livre comércio do mundo); ALCs bilaterais com países como Índia, Austrália e China ASEAN Trade in Good Agreement, que elimina barreiras dentro do bloco.
4. Clima favorável ao investimento: incentivos do Conselho de Investimentos (BOI), apoio a joint ventures e reexportações e, finalmente, um ambiente favorável ao comércio digital e físico.
O que o Peru pode fazer?
Nesse cenário, Mario Salazar propõe estabelecer um escritório comercial peruano ou um centro de operações na Tailândia, com uma visão de HUB regional.
Este escritório poderia coordenar a distribuição por toda a Ásia, dar suporte a certificações, logística e etiquetagem; atuar como uma plataforma de comércio eletrônico transfronteiriça, além de ser um ponto de encontro para missões comerciais e cocriação com empresas locais.
Da perspectiva deles, os produtos peruanos com potencial para se beneficiar deste centro são principalmente frutas frescas e congeladas, superalimentos, café especial e cacau fino, lanches andinos, produtos orgânicos, bebidas funcionais e pisco.
Além disso, a produção ou manufatura conjunta poderia ser explorada na Tailândia, adaptando produtos aos gostos asiáticos e reexportando-os com tarifas zero para os países da RCEP.
“A Ásia não é o futuro, é o presente. E se quisermos que o Peru esteja no mapa dos principais players agroalimentares do século XXI, precisamos nos movimentar com visão estratégica. A Tailândia pode ser a porta de entrada do Peru para a Ásia. Está em nossas mãos dar esse passo”, concluiu.
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