Reivindicações de Carga na China: Quadro Legal, Desafios Práticos e Recomendações
O comércio marítimo com a China enfrenta uma estrutura legal única em relação a reivindicações de carga, definida principalmente pelo Código Marítimo da China (CMC), em vigor desde 1993. Essa regulamentação, amplamente inspirada nas Regras de Haia-Visby, rege as responsabilidades das empresas de transporte marítimo e os interesses da carga, incluindo a navegabilidade da embarcação, o ônus da prova, os prazos para apresentação de reivindicações (um ano) e os limites de responsabilidade.
Embora mantenha forte alinhamento com os padrões internacionais, o CMC introduz suas próprias práticas legais, que às vezes estendem obrigações além daquelas previstas nas regulamentações internacionais.
Reclamações por carga perdida
Na China, as reclamações por escassez geralmente surgem de operações de transbordo para embarcações menores (isqueiro), comum em portos com limitações de calado. Essas manobras geram discrepâncias de quantidade devido a fatores como ondas, densidade da água, condições de lastro ou precisão dos levantamentos de calado.
Em 2022, o Supremo Tribunal Popular estabeleceu que perdas menores resultantes de evaporação, derramamentos ou erros de medição podem isentar a transportadora de responsabilidade, desde que seja demonstrada a devida diligência. Se a perda exceder o que é aceito pelo uso comercial e não houver distinção entre perda natural e perda real, os tribunais tendem a decidir a favor do reclamante.
Jurisprudência recente, como o caso “SDTR Dora” (2023), reforça a importância de estudos preliminares independentes como evidência fundamental contra medições em escala terrestre.
Danos físicos e de qualidade
Em ações por danos físicos, como danos causados pelo calor em cargas agrícolas, o ônus da prova recai sobre a transportadora, que deve demonstrar o cuidado adequado. Os tribunais chineses dão atenção especial aos registros de ventilação, cuja ausência ou deficiência é frequentemente interpretada como falta de diligência prévia.
Em relação às alegações de qualidade, os juízes limitam a responsabilidade à condição aparente das mercadorias no momento do embarque. Casos como o MV Megalohari e o Bulk Aquila confirmaram que a emissão de conhecimentos de embarque limpos não implica responsabilidade por defeitos internos, como contaminação ou danos ocultos.
Aspectos processuais
O CMC também estabelece distinções entre transportadores contratuais e reais, o que em alguns casos levou à responsabilização de fretadores por tempo, embora tendências judiciais recentes tendam a restringir esse escopo.
Outro elemento fundamental é o prazo prescricional: um ano a partir da entrega da carga, sem possibilidade de prorrogação por acordo. Além disso, a omissão da data do afretamento no conhecimento de embarque pode invalidar a inclusão de cláusulas de arbitragem ou da legislação aplicável, deixando a disputa sob jurisdição chinesa.
Recomendações práticas
Especialistas sugerem uma série de medidas preventivas para reduzir riscos em reclamações de cargas na China:
- Nomear um especialista independente para realizar levantamentos de projetos em portos chineses.
- Documento com fotos ou vídeos marcas de tiragem e processos de descarga.
- Convidar colegas (fretadores ou recebedores) para nomear seus próprios especialistas e assinar relatórios conjuntos.
- Manter registros abrangentes de ventilação em viagens longas, especialmente com produtos agrícolas.
- Inclua com precisão a data da festa de afretamento em conhecimentos de embarque, para reforçar cláusulas de arbitragem ou legislação aplicável.
Em conclusão, embora o O quadro jurídico chinês reflete os padrões internacionais, a interpretação judicial impõe um ônus da prova mais rigoroso às companhias de navegação. A prática demonstra que a documentação cuidadosa e o envolvimento de especialistas independentes são ferramentas essenciais para lidar com sucesso com potenciais reivindicações nos tribunais marítimos chineses.