Reino Unido: possíveis efeitos do Brexit na indústria alimentar da UE

Durante a 2015, as exportações de alimentos e bebidas do Reino Unido aumentaram consideravelmente, notadamente cacau, preparações alimentícias, frutas e legumes processados, leite, cereais, chá, café e especiarias.

No ano 2015, as exportações do Reino Unido para os Estados Unidos representaram 14,5% do total, sendo as bebidas o principal produto, por USD 2.100 milhões. Por outro lado, as importações do Reino Unido da União Europeia cobrem cerca de 25%, enquanto na América do Norte apenas 4% é importado. É por isso que, após o anúncio da saída da UE, espera-se que a libra cairá frente ao dólar e ao euro, tornando as importações mais caras.

Entre as vantagens de fazer parte da UE, está a possibilidade de troca de bens entre os membros de forma simplificada, dada a livre circulação de capitais, serviços e trabalho. No entanto, caso a saída do Reino Unido se concretize, ela deverá comercializar individualmente com cada um dos países que compõem a UE.

De acordo com estatísticas da European Fresh Produce Association (Freshfel), em 2015 o Reino Unido importou um total de 5,6 toneladas métricas, equivalentes a US $ 7.500 bilhões, das quais quase metade veio da UE.

Por outro lado, a UE deve definir o que fará com a Política Agrícola Comum (PAC), uma vez que representa mais de 40% do orçamento total da UE e mais de metade do rendimento dos agricultores no Reino Unido provém desta política, através de subsídios agrícolas que chegam para o caso do Reino Unido, USD 4 milhões. Como conseqüência, espera-se um aumento nos preços para garantir a rentabilidade, onde frutas e vegetais devem ser os que mais aumentam.

Semelhante ao que acontece na Suíça, existe a possibilidade de aumentar o consumo de produtos locais no Reino Unido, promovendo assim a soberania alimentar e consequentemente o aumento dos preços.

Para a indústria chilena, a UE representa um mercado altamente relevante, sendo o segundo principal destino das exportações florestais e agrícolas chilenas, concentrando a 19% do total enviado em 2015. Desde a entrada em vigor do Acordo de Parceria Económica na 2003, as exportações florestais e agrícolas chilenas para a União Europeia cresceram de USD 1.434 milhões para USD 2.791 milhões em 2015.

Durante a 2015, as exportações para a União Europeia sofreram uma diminuição de 11,4% em relação à 2014, principalmente devido a uma queda nos quatro principais produtos, entre os quais estão: preparações para alimentação infantil, vinhos com denominação de origem, madeira compensada e maçãs. No entanto, produtos como uvas, purés e sumos de tomate, passas, pêssegos processados, polpa de maçã e espumante, entre outros, apresentaram aumentos nas exportações, quando comparados com o ano 2014.

Para as exportações chilenas na 2015, o Reino Unido foi o segundo principal mercado dentro da União Européia, com a 19,4 concentrando% das exportações, com apenas embarques para a Holanda sendo maiores.

De acordo com dados do Escritório de Estudos e Políticas Agrícolas (Odepa) da 2015, os produtos agrícolas foram exportados por USD 481 milhões para o Reino Unido. Este valor mostrou uma tendência ascendente nos últimos dez anos, considerando que a 2005 exportou USD 319 milhões.

Fonte: Agrimundo - Forbes

 

Artigo anterior

próximo artigo

POSTAGENS RELACIONADAS

As geadas devastadoras causam perdas significativas de mirtilos nos U...
Sonho azul: Ucrânia bate recorde histórico de exportação de mirtilo...
José Antonio Gómez-Bazán, CEO da Camposol: qual o segredo do sucesso...