Segurança Alimentar ou Segurança Alimentar?

No dia 7 de junho, foi realizado o seminário “Como está chegando a safra 2023-24”, organizado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Este teve uma excelente abertura do presidente da entidade, Antonio Walker, após o que interveio o ministro da Agricultura, Esteban Valenzuela. Em um discurso muito interessante, a autoridade listou o que sua pasta fez e fará no restante do mandato do presidente Gabriel Boric.

Em sua apresentação, a manchete se destacou: “Segurança Alimentar”. Na minha mesa ouvi alguém dizer: “é óptimo que falem de Segurança Alimentar”… e o facto é que o termo é enganador. A verdade é que a melhor tradução de Food Safety não é food safety, mas food safety. Quando falamos de segurança alimentar ou Food Safety vamos nos referir a uma garantia. O que é essa garantia? Que estes alimentos não fazem mal à saúde humana e para os quais, devemos zelar por toda a nossa cadeia alimentar, que ao longo do tempo se tornou cada vez mais extensa, pois o conhecido “from the field to the fork” (do campo ao garfo) foi questão de horas há 40 anos, mas hoje, atravessando fronteiras, pode durar meses.

Com isto, não quero de forma alguma dizer que o ministro não está interessado na Segurança Alimentar, porque muito seguramente está, mas quando enunciou a sua apresentação com a frase "segurança alimentar", o que ele referia era o que na US .UU é chamado de “Segurança Alimentar” e está relacionado com a disponibilidade suficiente de alimentos para o nosso país. É, sem dúvida, fundamental garantir essa disponibilidade como política de governo, pois a falta de alguns alimentos pode distorcer os preços e, portanto, facilitar o acesso econômico a eles. Para nós, falantes de espanhol, é fácil ficar confuso entre os dois conceitos.

O Chile conseguiu sair de várias crises de Segurança Alimentar, como o problema das uvas envenenadas em 1989, alguns casos de salmonela em vegetais, listeria em queijo de cabra, para citar apenas alguns. O importante é que cada crise nos deu a oportunidade de sair mais fortes, na maioria das vezes amparados pelo investimento em tecnologia que nos ajudou a ter acesso rápido e oportuno às nossas informações.


Então, vamos falar de segurança alimentar ou segurança alimentar?

João Paulo Avendano
Representante do iFoodDS para a América do Sul

fonte
Consultoria Blueberries

Artigo anterior

próximo artigo

POSTAGENS RELACIONADAS

As geadas devastadoras causam perdas significativas de mirtilos nos U...
Sonho azul: Ucrânia bate recorde histórico de exportação de mirtilo...
José Antonio Gómez-Bazán, CEO da Camposol: qual o segredo do sucesso...