Temporada 2024-25: Exportações chilenas de mirtilo fecham em alta, impulsionadas pelo crescimento de 50% em novas variedades
Andrés Armstrong, diretor executivo do Comitê Chileno de Mirtilos, explicou que as remessas de mirtilos frescos fecharam a temporada 2024-25 em mais de 90 toneladas, refletindo um aumento de 5% em relação à temporada anterior e 12% a mais que o volume estimado, quebrando uma tendência de queda observada nas últimas temporadas.
"O evento mais significativo desta temporada não é o crescimento em si, mas sim o aumento da participação de novas variedades no total de embarques. Elas aumentaram em 50% em comparação à temporada passada e representaram 21% das exportações. Esta temporada demonstrou claramente o trabalho de adaptação que a indústria chilena está fazendo em resposta à maior competição de mercado, fazendo progressos significativos na renovação das plantações", enfatizou o especialista.
Enquanto isso, o volume de mirtilos destinados ao congelamento chegou a 60 mil toneladas, ficando dentro das projeções e representando 40% do total exportado mundialmente. "Assim, as exportações totais de mirtilos, incluindo frescos e congelados, atingiram 150 toneladas, um aumento de 15% em relação à temporada passada e 8% a mais do que o estimado", afirmou Armstrong.
Logística: A dor de cabeça desta temporada
Ao analisar os resultados desta temporada, Andrés Armstrong não hesitou em destacar que foi "um ano difícil, não só pela maior concorrência no mercado e pela consequente pressão sobre os preços, mas também por uma logística seriamente complicada".
Ele explicou que os serviços estavam sobrecarregados pelo grande volume de frutas, tanto do Chile (cerejas e mirtilos) quanto do Peru (mirtilos), o que causava, por exemplo, atrasos significativos nas inspeções, resultando em cargas que não podiam ser embarcadas na data e no navio programados. Além disso, havia falta de serviços de transporte e contêineres adequados, bem como de Atmosferas Controladas (AC).
Somam-se a isso algumas tempestades que afetaram as partidas de navios em várias semanas e as remarcações devido ao anúncio de fechamento de portos na Costa Leste dos EUA.
"Tudo isso acabou afetando o resultado, pois tínhamos a fruta, mas não tínhamos a logística para entregá-la a tempo, nas condições e qualidade necessárias. Portanto, é uma questão que estamos abordando, buscando e avaliando diferentes soluções para a próxima temporada", indicou.
Mercados: Maior diversificação e crescimento
Nesta temporada, o fornecimento chileno enfrentou maior concorrência do que na temporada passada em todos os mercados, especialmente do Peru, que voltou a um estado mais normal de seus embarques após ser severamente afetado pelo fenômeno El Niño no ano passado. "Essa é uma realidade que continua pressionando nossa indústria a se renovar e melhorar em todas as áreas do processo de produção e exportação", observou o representante do Comitê.

Andrés Armstrong, diretor executivo do Comitê Chileno de Frutas e Mirtilos
Em termos de mercados, os embarques para a Europa continuaram sua tendência de crescimento, com alta de 12% em relação à temporada passada, o que dá à região 43% do total. Essa é a mesma participação das exportações para os EUA, cujo volume permaneceu estável. Isso também é verdade para remessas para a Ásia, onde o crescimento na Coreia do Sul e o declínio na China são notáveis.
"O maior crescimento foi na América Latina, com 111% a mais de volume e 1,6% de participação no total de embarques no mundo. Argentina e Brasil foram os principais mercados. Enquanto isso, os embarques para o Oriente Médio aumentaram 11%, representando 0,4% do total", concluiu o executivo.