Comércio exterior e frutos silvestres:

Acordo de Livre Comércio com Hong Kong: Oportunidade crucial para recuperar as exportações de uvas, mirtilos e abacates peruanos.

Após uma queda de 26,3% nas exportações para Hong Kong entre janeiro e setembro de 2025, o setor exportador peruano acompanha de perto a implementação do Acordo de Livre Comércio (ALC) com esse mercado. A eliminação de tarifas, a promoção de serviços e a atração de investimentos de Hong Kong são vistas como ferramentas essenciais para revitalizar o agronegócio, especialmente para produtos como uvas, mirtilos e abacates.

O Peru exportou US$ 177 milhões para Hong Kong nos primeiros nove meses de 2025, uma queda em relação aos US$ 240 milhões registrados no mesmo período de 2024. Segundo a Associação de Exportadores (ADEX), esse declínio pressiona as empresas, que esperam que o acordo de livre comércio bilateral — assinado em novembro de 2024 — se traduza em breve em maior dinamismo para as exportações de produtos com valor agregado.

A implementação do acordo inclui a eliminação de tarifas, bem como a possibilidade de exportação de serviços sem presença física em Hong Kong, abrindo oportunidades para setores como tecnologia, consultoria e desenvolvimento de software. Ao mesmo tempo, espera-se que o tratado estimule o fluxo de capital de Hong Kong, especialmente no setor financeiro, fortalecendo a integração econômica e lançando as bases para novos projetos de exportação agrícola.

Um mercado aberto e estratégico para frutas de alta qualidade.

O Acordo de Livre Comércio Peru-Hong Kong inclui 14 capítulos que abordam o acesso ao mercado, regras de origem, medidas sanitárias e fitossanitárias, comércio de serviços, comércio eletrônico, investimento, cooperação e facilitação do comércio, entre outros tópicos. Essas áreas são cruciais para o setor do agronegócio, pois definem os custos de entrada, as certificações e os prazos operacionais no destino.

Hong Kong é uma das economias mais abertas do mundo e um renomado centro financeiro global. Sua população abastada demonstra uma forte preferência por produtos premium e de alta qualidade, com uma crescente tendência em direção a alimentos saudáveis, orgânicos e funcionais. Para frutas frescas — especialmente uvas, mirtilos e abacates — isso cria um mercado atraente, desde que os produtores consigam competir em termos de qualidade, consistência e serviços associados.

Além disso, o território possui uma infraestrutura logística altamente eficiente, que impulsiona o comércio exterior e serve como plataforma de redistribuição para outros mercados asiáticos. Para os exportadores peruanos de frutas vermelhas e outras frutas, Hong Kong representa não apenas um mercado final, mas também uma porta de entrada para os consumidores na China e no Sudeste Asiático, onde a demanda por frutas frescas fora de época continua a crescer.

Uvas, mirtilos e abacates: o agronegócio sob pressão.

Em 2024, Hong Kong foi o 14º maior destino das exportações peruanas de produtos com valor agregado, representando 1,5% do total. Desse total, 69% eram compostos por produtos agrícolas (tradicionais e não tradicionais), 13% por pescado (captura primária e pescado para consumo humano direto) e 8% por bens manufaturados, entre outros. O agronegócio, portanto, está no centro da relação bilateral.

Segundo o Sistema de Inteligência de Negócios Comerciais da ADEX Data, as exportações peruanas para Hong Kong totalizaram US$ 177 milhões entre janeiro e setembro de 2025. Os setores tradicionais representaram US$ 78,28 milhões, com um ligeiro crescimento de 3,3%, impulsionado pela mineração (cobre e estanho) e pela pesca primária (farinha de peixe). No entanto, as exportações não tradicionais totalizaram US$ 98,73 milhões, uma queda de 39,9%, refletindo o impacto sobre os produtos de maior valor agregado.

Neste último segmento, o setor do agronegócio — com US$ 65,45 milhões — manteve-se o mais importante, apesar de uma queda de 52,2%. Uvas, mirtilos e abacates lideraram a lista de produtos exportados, confirmando seu papel como embaixadores das frutas peruanas nesse mercado. Ao lado deles, destacaram-se a indústria siderúrgica, a categoria "diversos", a pesca e aquicultura, o vestuário e a metalurgia, além dos produtos químicos, têxteis e de mineração não metálica, todos afetados pela menor demanda.

 

Superávit na balança de pagamentos e expectativas voltadas para o TLC (Tratado de Livre Comércio).

Apesar da queda nas remessas, a balança comercial entre o Peru e Hong Kong permaneceu significativamente favorável ao Peru: entre janeiro e setembro de 2025, o saldo positivo atingiu US$ 158,19 milhões. Enquanto isso, o Peru importou de Hong Kong rebocadores e empurradores, livros e brochuras impressos, e produtos laminados de ferro ou aço, entre outras mercadorias.

Para o setor de exportação agrícola, a entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio representa uma oportunidade para recuperar o terreno perdido e aproveitar melhor as vantagens comparativas em frutas frescas, especialmente uvas, mirtilos e abacates. A expectativa é que a combinação de acesso preferencial, logística eficiente e crescente demanda por alimentos saudáveis ​​na Ásia revitalize o crescimento das exportações, restaurando o dinamismo da relação comercial entre Peru e Hong Kong, que se manteve nos anos anteriores.

fonte
ADEX

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