Potencial e desafios do mercado de frutas na África
Nos últimos anos, o comércio de frutas na África experimentou uma expansão significativa. Embora a maior parte da produção seja destinada ao mercado interno, o setor tem um potencial significativo como fonte de renda para produtores agrícolas.
Dada a alta lucratividade econômica por hectare associada a diversas culturas frutíferas, desenvolver esse setor de forma sustentável representa uma oportunidade de otimizar o uso dos recursos limitados do continente e contribuir para reduzir o déficit comercial da África em alimentos essenciais.
As frutas mais importantes produzidas, tanto em quantidade quanto em valor, são a banana-da-terra e a banana-da-terra para cozinhar, que servem principalmente como alimento básico devido às suas qualidades amiláceas. Os países produtores de frutas mais importantes da África, com base no valor da produção, incluem Argélia, África do Sul, Egito, Marrocos e Nigéria.
Frutas dentro e fora da África
As frutas comercializadas na África variam substancialmente daquelas comercializadas com parceiros externos. Entre as nações africanas, as frutas mais comercializadas em valor são maçãs, sucos de frutas não especificados e bananas.
Em contraste, as exportações para destinos não africanos são compostas em grande parte por frutas cítricas, mirtilos e uvas, refletindo seus valores unitários mais elevados nos mercados de exportação. Essa tendência é impulsionada quase inteiramente pela expansão das exportações da África do Sul, Egito e Marrocos, que apresentaram crescimento considerável nas últimas duas décadas (Figura 1.17).

Produção de frutas até 2034
De acordo com as projeções para a produção de banana e frutas tropicais (detalhadas no Capítulo 10 das Perspectivas Agrícolas 2025-2034 da OCDE-FAO), a perspectiva de aumento da produção de frutas na África até 2034 deverá ser influenciada por uma expansão moderada da área cultivada, aliada a níveis de produtividade persistentemente baixos. O crescimento do consumo deverá ser gradual devido ao crescimento limitado da renda, aos desafios ambientais e aos desenvolvimentos geopolíticos que restringem o acesso e a disponibilidade para os consumidores.
Portanto, a perspectiva de melhores resultados nutricionais parece incerta. Espera-se que o crescimento do comércio intra-africano seja facilitado pela Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) e pela tendência contínua de urbanização, que apoia o desenvolvimento de cadeias de valor formais de frutas.
Comércio além da África
Em termos de potencial de mercado além do continente, espera-se que a África do Sul continue a se beneficiar da crescente demanda do Oriente Próximo, particularmente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos (EAU), e cada vez mais dos mercados do Extremo Oriente. Marrocos e Egito, por sua vez, estão estrategicamente posicionados para atender à crescente demanda de importação dos mercados europeus.
O crescimento nas exportações de frutas do Quênia, especialmente abacates, também é esperado em resposta à crescente demanda dos mercados globais e aos investimentos na expansão da produção.
No entanto, será necessário trabalhar em áreas-chave de desenvolvimento para um maior crescimento do setor frutícola em toda a África, incluindo infraestrutura de transporte e manutenção de cadeias de frio. Os desafios são particularmente pronunciados em países sem litoral, que enfrentam dificuldades consideravelmente maiores para alcançar mercados internacionais. Além disso, janelas de colheita limitadas expõem o setor a riscos climáticos adversos, que complicam ainda mais a produção e a comercialização.
FONTE: Perspectivas Agrícolas 2025-2034 da OCDE-FAO