Pesquisa pós-colheita e aplicada

A qualidade das bagas em Marrocos também é definida após a colheita.

O painel realizado em Tânger relacionou o estado da fruta à chegada com o manuseamento pós-colheita e com a necessidade de validar tecnologias nas condições de produção de Marrocos.

Por: Natalia Rubio Iversen

A qualidade alcançada no campo foi apenas uma parte da discussão em Tânger. O manuseio desde a colheita, a rapidez com que a fruta entra no armazenamento refrigerado e seu prazo de validade após a chegada ao comprador estiveram entre os pontos destacados pelos participantes do painel.

O tema foi abordado durante o painel “Análise da indústria global de frutos vermelhos: desafios e estratégias para a competitividade”, realizado no XLIII Seminário Internacional de Frutos Vermelhos Marrocos 2026. Entre os assuntos discutidos estavam o manuseio da fruta após a colheita, a transferência da pesquisa para o campo e a rastreabilidade.

O painel também destacou a lacuna entre a disponibilidade de novas tecnologias e a existência de evidências locais que permitam recomendá-las aos produtores. Essa discussão levou à necessidade de validação em campo e à importância de transformar a pesquisa em soluções aplicáveis ​​às condições de produção do país.

Da produção à preservação da qualidade.

Para Philip Symons, Diretor da North Bay Produce para a região EMEA, preservar a qualidade após a colheita é uma das tarefas que Marrocos precisa aprimorar continuamente em comparação com outras regiões produtoras da mesma época. "A cadeia de frio precisa ser melhorada", observou ele, assim como a aceleração do processo de armazenamento refrigerado após a colheita para prolongar a vida útil e preservar melhor a fruta até que ela chegue ao seu destino.

Ibrahim Bouhanch, da Morocco Foodex, direcionou o foco da análise para a consistência comercial. "Precisamos garantir qualidade, consistência e também confiança", afirmou. Ele relacionou essa regularidade aos tempos pós-colheita e à vida útil que a fruta mantém após chegar ao consumidor.

Do ponto de vista da produção, Said Zelai, Country Manager da Agrovision em Marrocos, destacou que o investimento realizado no setor deve ser acompanhado por melhorias na gestão desde a colheita e por instalações portuárias e de exportação capazes de atender às demandas futuras.

Painel “Análise da indústria global de frutos vermelhos: desafios e estratégias para a competitividade” © Blueberries Consulting

Valide antes de recomendar.

Ahlam Hamim, coordenadora do Programa de Pesquisa de Pequenos Frutos do INRA, explicou que o trabalho realizado em Marrocos abrange tudo, desde o melhoramento genético até microrganismos, substratos e manejo da umidade. Uma das questões pendentes, observou ela, é traduzir esse conhecimento em tecnologias que possam chegar efetivamente ao produtor.

Hamim definiu essa tarefa como a “última etapa” da pesquisa: avançar por meio de plataformas de experimentação, padronização de protocolos e trabalho colaborativo com os agricultores. “A inovação não pode ser operacional se não for validada”, afirmou, enfatizando a necessidade de testar as tecnologias em campo antes de transferi-las.

XLIII Seminário Internacional sobre Frutas Vermelhas Marrocos 2026 © Blueberries Consulting

Rastreabilidade para ajustar o manuseio

Loudili Hassan, diretor regional da ONSSA para o norte de Marrocos, defendeu a continuidade do automonitoramento e da rastreabilidade das ações realizadas. Segundo ele, esses registros permitem saber o que foi feito e fornecem informações de contexto para o ajuste de procedimentos quando necessário.

A discussão em Tânger, portanto, levou a qualidade além dos resultados obtidos no campo. Para frutas destinadas a mercados cada vez mais exigentes, o parâmetro final não é apenas como são produzidas ou colhidas, mas também em que condições chegam e com que regularidade podem ser entregues novamente.

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fonte
Consultoria Blueberries

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