O 38º Seminário Internacional de Frutas Vermelhas no Marrocos consolida sua posição como um polo estratégico para a indústria global.
O dia de abertura foi marcado por uma riqueza de informações e análises de dados sobre a situação comercial da indústria global, o mercado internacional e a situação local. Em suas apresentações, renomados especialistas destacaram o enorme dinamismo do setor, que ano após ano surpreende o mundo com seu crescimento sustentado em volume e qualidade.
Um destaque da sessão da manhã foi o Painel de Conversação “Análise da indústria global de frutas silvestres: desafios e estratégias de competitividade”, que contou com a participação de figuras importantes do setor: Amine bennani, presidente da Associação Marroquina de Produtores de Frutas; Youssef Bensajjy, Chefe de Desenvolvimento Agrícola ORMVA du Loukkos; Disse Zelai, diretor Fruits Rouges Providence Verte; Mohammed Harras, diretor da Fruits Rouges CAP Agro; Otman El Qacemi, Gerente de Impacto Social e Ambiental na Driscoll's Marrocos; Ali Rougui, Chefe do Departamento de Business Intelligence da Morocco Foodex; e Disse Ouhada, presidente da Cooperativa BestBerry.
Desafios e oportunidades
Durante a discussão, os especialistas concordaram que a indústria de frutas vermelhas — e a de mirtilos em particular — está vivenciando um momento incomum, embora enfrente desafios estruturais que moldarão sua evolução. Entre os principais aspectos destacados estão:
- Água e estresse hídrico: A região de Agadir poderia expandir seu potencial produtivo com maior disponibilidade de água, enquanto em Loukkos a prioridade é avançar na inovação tecnológica para otimizar os recursos.
- Qualidade e rastreabilidade: O consumidor internacional está cada vez mais exigente, exigindo investimentos em pós-colheita, sistemas de armazenamento refrigerado e logística para garantir padrões competitivos. Também foi destacado que muitos produtores estão migrando de morangos para mirtilos em resposta a essas novas demandas de qualidade e rastreabilidade.
- Mercado globalizado: A crescente concorrência internacional está gerando margens mais estreitas e elevando os custos de produção, por isso o setor deve focar em valor agregado e diferenciação de qualidade.
- Mão de obra: Uma lacuna de produtividade foi evidente em comparação com outros países (no México, um trabalhador colhe em média 12 quilos de mirtilos por hora, enquanto no Marrocos, a média é de apenas 3 a 4). Treinamento de trabalhadores, estabilidade no emprego e melhores condições para trabalhadores locais e migrantes estão emergindo como fatores decisivos para o futuro. Nesse ponto, as diferenças entre a força de trabalho marroquina e africana também foram discutidas, destacando a necessidade de maior regulamentação e melhores condições para atrair e reter trabalhadores na agricultura.
- Responsabilidade social: O painel enfatizou que a sustentabilidade e o impacto social não podem ser separados da competitividade do setor.
Perspectivas para Marrocos
Especialistas enfatizaram que a indústria marroquina de frutas vermelhas está passando por uma fase promissora de expansão, com potencial para continuar conquistando mercados internacionais graças à sua vantagem geopolítica: proximidade com a Europa e acesso direto a portos estratégicos.
Nesse contexto, foi mencionada a experiência do Peru, país que conseguiu se consolidar como líder mundial por meio da profissionalização de sua força de trabalho e da implementação de estratégias inovadoras de incentivo à colheita, como sistemas de bônus aos trabalhadores. Assim, os especialistas apontaram que o Marrocos deveria tomar esses exemplos como referência, mas adaptá-los à sua própria realidade. fortalecimento da formação profissional e aumento da produtividade por hectare.
Uma indústria com espaço para crescer
Um dos pontos mais relevantes apresentados por Otman El Qacemi (Driscoll's Marrocos) foi que o consumo global de frutas vermelhas ainda é incipiente em comparação com seu potencial. Isso significa que o setor mantém amplo espaço para crescimento no mercado global, abrindo oportunidades para países emergentes no setor, como Marrocos, se estabelecerem como fornecedores estratégicos.