A indústria peruana mostra grande interesse na produção orgânica de mirtilos
O volume de embarques de mirtilos orgânicos da região da América Latina na última safra ultrapassou 40 mil toneladas, somando as exportações do Chile, Peru, Argentina e México. O principal exportador de orgânicos foi o Chile, com um volume de embarque de 15.800 mil toneladas, alcançando 40% de participação de mercado, embora com queda de 24% em relação às mais de 20 mil toneladas exportadas na campanha anterior.
O Peru, no entanto, ficou em terceiro lugar, atrás do México, e atingiu volumes muito próximos de 9 mil toneladas, o que se traduziu em 22% de participação de mercado, mas um crescimento de 24% em relação às 7 mil toneladas exportadas na campanha anterior.
Seminário em Trujillo
No segundo dia do Seminário Internacional de Mirtilo, realizado em Trujillo, Peru, em julho passado, o agrônomo Antonio Gaete, especialista em produção orgânica, teve a oportunidade de se aprofundar nos aspectos fundamentais da produção orgânica de mirtilo, sobre suas vantagens e demandas, e sobre os mitos que a cercam.
O grande interesse demonstrado pelas centenas de assistentes técnicos e profissionais, pertencentes às principais empresas agrícolas peruanas que enviaram numerosas delegações ao evento, foi plenamente satisfeito pela abundância de conhecimento entregue pelo especialista em sua apresentação e posteriormente em sua participação no rodada de perguntas.
“Nunca é fácil demolir mitos, muito menos quando se trata de agricultura orgânica, mas há duas visões de agricultura orgânica, mais uma do ponto de vista visceral, que está focada principalmente em como vou poder realizar planos de gestão e a estrutura, e outro que é principalmente focado em como vou encarar o que o mercado está exigindo de mim”, destacou o especialista.
- É mais caro fazer agricultura orgânica?
Nao para nada. Os agricultores devem levar em conta que existem algumas etapas: primeiro, o processo de transição, onde não devemos colocar em risco os sistemas de produção. Devemos estar monitorando tudo, pragas em seus diferentes estágios, plantas daninhas, doenças, condições ambientais e, sobretudo, a eficácia das estratégias estabelecidas no plano de manejo orgânico. Após esse período, passamos a intervir na segunda etapa, incorporando ferramentas típicas da agricultura orgânica, por exemplo, microrganismos, matéria orgânica em cobertura ou compostagem, liberação de inimigos naturais, etc.
- O que faz a diferença de custo entre agricultura orgânica e convencional?
A partida. Muitas vezes o erro está em decidir converter a pior fazenda, setor ou quartel para orgânico, produtivamente falando. No entanto, é bem o contrário. Deveríamos ter o melhor setor ou quartel para ficar orgânico porque se usarmos o pior, vai demorar mais. Se você não conseguir cultivar uma horta de maneira convencional, não a obterá do ponto de vista orgânico no curto prazo. Se o pomar apresentar uma deficiência do ponto de vista nutricional, ela deve ser corrigida previamente, pois é mais barato corrigir com uma ferramenta convencional do que com uma orgânica. O mesmo se houver um problema de saúde. A recomendação é corrigir e depois passar o setor para a produção orgânica.
- Os rendimentos produtivos da agricultura orgânica são menores, ou também é um mito?
Temos produtores que conseguem ter, por exemplo, em mirtilos, rendimentos de 40 t/ha e, em média, as produções situam-se entre 20 e 25 t/ha.
- Como você vê a projeção de mirtilos orgânicos no Peru?
Tenho visto certas desvantagens técnicas, pois você não pode replicar o que viu ou ouviu em uma situação de sucesso. Por exemplo, correções sólidas aplicadas ao solo se comportam de maneira muito diferente na areia. O mesmo acontece em termos de microrganismos, matéria orgânica líquida e aminoácidos. Acredito que o sucesso da produção orgânica de mirtilo no Peru dependerá de como a informação foi obtida e como está sendo aplicada para tirar o máximo proveito dela.
O dia do Seminário Internacional de Mirtilo em Trujillo, dedicado principalmente aos orgânicos, foi muito valorizado pelos participantes, que deixaram muitas tarefas e pedidos para a edição do próximo ano do Seminário Internacional, porque a indústria peruana está decididamente determinada a avançar na produção de mirtilos orgânicos com a mesma vontade que fez no convencional. A tendência mostrada por seus números prova isso.
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