Dados que transformam as colheitas

Pesquisa acadêmica cria ferramenta para medir a competitividade global dos mirtilos.

Uma pesquisa acadêmica liderada por Jonathan Betzain Trujillo Magaña, doutorando em Administração pela Universidade La Salle Morelia e produtor de mirtilo na região de Morelia-Pátzcuaro (México), está desenvolvendo o Indicador de Competitividade Agrícola (ICA), uma ferramenta baseada em dados que demonstra que gestão, tecnologia e treinamento têm um peso maior do que a localização ou o tamanho da propriedade rural na competitividade global do cultivo de mirtilo.

Durante décadas, a agricultura foi vista como uma profissão enraizada na tradição, no trabalho árduo e na terra. Hoje, porém, o simples plantio já não é suficiente para garantir a rentabilidade. A globalização, os novos padrões de qualidade e a disrupção tecnológica transformaram o setor agrícola em um ambiente altamente competitivo, onde apenas os produtores capazes de inovar, aprender e gerir de forma inteligente sobrevivem.

Nas palavras de Héctor Luján, CEO da Hortifrut, “O futuro do agricultor não está em produzir mais, mas em produzir melhor; aqueles que não medem e aqueles que não gerenciam, não competem.”. De Michoacán, México, território onde o oxicoco Com a consolidação da fruta como um produto de exportação de alto valor, surgiu um esforço pioneiro para compreender os fatores que determinam a competitividade agrícola em um ambiente globalizado. Este estudo busca... Construir o Indicador de Competitividade Agrícola (ICA), uma ferramenta que combina gestão empresarial, análise estatística e inteligência artificial para medir, comparar e prever o desempenho competitivo de unidades de produção.

O desenvolvimento da ICA baseia-se em pesquisa internacional que une os experiência prática com análise de dadosForam realizadas entrevistas semiestruturadas em cinco países produtores: México, Peru, Chile, Estados Unidos e Canadá., com líderes da indústria como Héctor Luján (Hortifrut), Miguel Bentín (ProArándanos Perú), Andrés Armstrong (Comitê Chileno de Blueberry), Miguel Ángel Curiel (Aneberries México) e representantes de empresas como Mission Produce, Sun Berries, Berries Paradise y Fazendas Naturipe, entre outros.

Com base nesses depoimentos, mais de 80 fatores de competitividadeagrupadas em seis dimensões principais: produção, ambiente econômico, educação, meio ambiente, segurança e governança.. Essa informação foi codificada e transformada em um  matriz de análise estatística o que nos permitiu estimar o peso relativo de cada dimensão dentro do modelo geral.

Atualmente, o projeto está progredindo em direção à fase de validação quantitativaonde são aplicadas análises fatoriais, regressões logísticas e modelos de inteligência artificial. (Floresta Aleatória) para consolidar o ICA definitivo. Em sua fase final, o modelo será integrado a um quadro digital interativo que permitirá Comparar a competitividade agrícola entre regiões e países.Oferecer uma ferramenta prática para produtores, associações e tomadores de decisão do setor.

Embora os contextos sejam diferentes, os resultados convergem. Em MéxicoA oportunidade reside em tirar proveito dela. proximidade geográfica Com o maior mercado do mundo, embora enfrente desafios em infraestrutura, tecnologia e coordenação institucional. Peru, A competitividade se consolidou como uma política de Estado baseada em planejamento e inovação varietal. em ChileO debate centra-se em renovação e sustentabilidade varietal; enquanto isso em Estados Unidos y Canadá, a ênfase está no  Automação, pesquisa genética e eficiência logísticaCada país trilha um caminho diferente, mas todos concordam na mesma conclusão: o sucesso não depende mais do tamanho da fazenda, mas sim do nível de gestão e da inteligência com que as decisões são tomadas..

Figura 1. Distribuição percentual das dimensões que definem a competitividade agrícola. Os resultados mostram a predominância de fatores internos — tecnologia, treinamento e gestão — sobre as condições externas de mercado ou políticas, confirmando que a inovação e o aprendizado são as verdadeiras fontes de vantagem competitiva no setor de mirtilo.

Os resultados quantitativos reforçam essa tendência.

As dimensões com maior peso relativo foram os fatores de produção (24%) e educação e treinamento (19%), seguido pelo ambiente econômico global (% 17) e governança institucional (15%). Uma das surpresas da análise foi o baixo peso atribuído à segurança e ao acesso ao mercado (12%), Essa questão, apesar de sua relevância na mídia em países como o México, não está entre os principais determinantes da competitividade percebida pelos produtores. Isso sugere que os agricultores e empreendedores agrícolas aprenderam a operar em contextos incertos, priorizando... eficiência e pela inovação sobre fatores externos que eles não podem controlar.

Em conjunto, essas evidências confirmam que a nova competitividade agrícola não é conquistada com terra ou clima, mas com Estratégia, conhecimento e resiliência. O produtor competitivo de hoje é um gestor de informações, um tomador de decisões global e, acima de tudo, um aprendiz constante.

O mundo agrícola está passando por uma revolução silenciosa. O que antes se baseava na experiência e na intuição agora é definido por Dados, informação e adaptabilidade. Nesse novo cenário, a produtividade não depende mais apenas do esforço físico ou do conhecimento herdado, mas da capacidade de interpretar tendências, antecipar riscos e tomar decisões informadas em tempo real.

Figura 2. Radar de pesos relativos das dimensões da competitividade
agrícola. Fonte: Elaborado pelo autor (2025), com base em entrevistas e uma matriz de
competitividade agrícola

A gestão de dados tornou-se o novo terreno fértil para o produtor moderno.

Cada registro meteorológico, cada análise de solo, cada variável de mercado constitui uma semente de conhecimento que, se bem administrada, pode fazer a diferença entre lucro e prejuízo. informação deixou de ser um recurso complementar e tornou-se um ativo estratégico: Quem controla os dados controla o futuro da área.

Mas nenhum sistema tecnológico pode substituir a mentalidade do agricultor. O cenário competitivo atual exige produtores capazes de aprender, desaprender e reaprender; líderes que entendam que o treinamento não é um evento isolado, mas um processo contínuo. O agricultor que resiste à mudança fica para trás, não porque sua terra valha menos, mas porque seu modelo de gestão não fala mais a língua do mercado global.

Num mundo saturado de tecnologia, a agricultura tradicional — aquela que produz sem registos, vende sem planeamento e compete sem informação — já não tem lugar. A nova agricultura baseia-se em Plataformas analíticas, redes de conhecimento e tomada de decisão colaborativa.O desafio não é produzir mais, mas produzir melhor, com uma visão estratégica e um olhar que ultrapasse as fronteiras nacionais.

Porque a competitividade futura não será definida por quem cultiva os melhores mirtilos, mas sim por quem melhor compreende o ambiente global que os rodeia..

fonte
Sr. Jonathan B. Trujillo Magaña

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