Mudanças climáticas, genética e eficiência marcaram o primeiro dia do Seminário Internacional de Mirtilos Trujillo 2026.

Pesquisas de mercado, fisiologia, nutrição e saúde convergem para a conclusão de que a competitividade do mirtilo dependerá cada vez mais de sua capacidade de adaptação a um ambiente de produção mais complexo e a consumidores mais exigentes. O primeiro dia do encontro em Trujillo confirmou que a indústria peruana já está se preparando para esse novo cenário.

A indústria do mirtilo está passando por um período de profunda transformação. O crescimento da oferta global, os avanços na genética, o aumento da variabilidade climática e a demanda cada vez maior dos consumidores por uma qualidade de fruta consistente estão redefinindo a forma como a cultura é produzida e comercializada. Esses foram precisamente os principais temas que dominaram o primeiro dia do XLII Seminário Internacional do Mirtilo Trujillo 2026onde pesquisadores, consultores e representantes da indústria concordaram que o futuro do negócio dependerá muito menos do volume e muito mais da eficiência, do conhecimento e da adaptabilidade.

Desde as apresentações iniciais, ficou claro que a safra de 2026-2027 não poderia ser analisada apenas com base nos números de produção. A discussão passou a adotar uma perspectiva muito mais ampla, na qual o mercado, o clima, a fisiologia da planta, a nutrição e a qualidade da fruta se mostram cada vez mais interligados.

Um mercado em crescimento e em constante mudança.

O dia começou com a cerimônia de abertura, conduzida por Jorge Esquivel, diretora da Blueberries Consulting, que destacou o papel que o Peru conquistou na indústria global e a importância de gerar espaços para análises técnicas e informações de qualidade, baseadas em evidências, para uma atividade que está evoluindo com enorme rapidez.

Depois Pablo Cortes, da área de Agronomia, abriu o bloco técnico abordando o mundo dos dados e a estreita relação que existe hoje entre novas variedades, variabilidade climática e tendências de preços internacionais.

Sua apresentação mostrou como a evolução genética e a crescente disponibilidade de informações de mercado estão mudando a forma como a oferta global é interpretada, enquanto fenômenos como o El Niño forçam a incorporação de variáveis ​​climáticas em qualquer análise comercial.

A análise de mercado prosseguiu com uma das conferências mais aguardadas do seminário, como acontece todas as temporadas. luis miguel vegas, gerente geral da Proarándanos, apresentou o panorama mais atualizado da indústria peruana, fornecendo informações em primeira mão sobre área plantada, evolução das variedades, produção, exportações e projeções para a safra de 2026-2027.

Sua apresentação reafirmou o dinamismo que caracteriza o maior exportador mundial de mirtilos, mas também destacou os novos desafios que acompanham esse crescimento, como o impacto dos fatores climáticos e a logística cada vez mais exigente, consumidores mais seletivos e a concorrência internacional que continua a se intensificar.

Seminário Internacional Luis Miguel Vegas sobre Mirtilos Trujillo 2026 © Consultoria de Mirtilos

Do mercado ao campo

Após analisar o cenário comercial dos mirtilos peruanos e da indústria global, o programa direciona a conversa para a realidade produtiva da cultura.

As apresentações de Francisco Angulo, Daniel Manríquez y Jorge Retamales As palestras permitiram que os participantes explorassem diferentes aspectos do manejo agronômico, desde a fertirrigação de precisão até a fisiologia vegetal e a resposta das plantas ao estresse ambiental. A palestra de Angulo enfatizou a importância de tecnologias capazes de otimizar a dosagem de fertilizantes, agroquímicos e processos de acidificação da água — ferramentas que agora fazem parte de uma agricultura cada vez mais eficiente e sustentável.

Mais tarde, Daniel Manríquez abordou o fortalecimento da cutícula como estratégia para reduzir o estresse e melhorar a produtividade, destacando que pequenas modificações fisiológicas podem se traduzir em diferenças significativas tanto na produção quanto na qualidade dos frutos. A sessão foi concluída com uma apresentação de Jorge Retamales, que aprofundou a compreensão fisiológica do efeito das mudanças climáticas na cultura. Sua apresentação reforçou uma ideia que seria repetida ao longo do dia: as decisões agronômicas não podem mais se basear apenas na experiência, mas exigem uma sólida compreensão de como as plantas respondem às novas condições ambientais.

Seminário Internacional de Mirtilos Jorge Retamales Trujillo 2026 © Consultoria de Mirtilos

A criança como protagonista

Durante a tarde, o foco mudou para os possíveis efeitos do fenômeno El Niño na produção peruana e, nesse contexto, para as conferências de Walter Apaza, Carlos Huamán y Thomas Fichet Eles analisaram diferentes abordagens para lidar com um cenário climático cada vez mais incerto.

Gestão da saúde

Walter Apaza explicou como as mudanças ambientais associadas ao El Niño podem alterar significativamente o comportamento das doenças, forçando uma reconsideração das estratégias de prevenção e controle. Carlos Huamán complementou essa perspectiva com uma análise específica de Botrytis, uma das doenças com maior impacto econômico na indústria, destacando a necessidade de programas preventivos capazes de sustentar campanhas de alta produtividade sem comprometer a qualidade.

Por sua vez, Thomas Fichet incorporou uma perspectiva fisiológica ao analisar o papel dos reguladores de crescimento vegetal e do equilíbrio hormonal como ferramentas que poderiam contribuir para melhorar a capacidade das plantas de responder ao estresse causado por condições climáticas adversas.

Novas variedades, novas exigências

A última sessão técnica do dia focou-se em dois aspetos que são agora inseparáveis: nutrição e qualidade dos frutos. Nesta área, Juan Hirzel apresentou uma análise crítica dos programas nutricionais utilizados em novas variedades de mirtilo, destacando a necessidade de ajustar as estratégias de diagnóstico e bioestimulação para atender materiais genéticos com exigências fisiológicas diferentes das tradicionais.

Por fim, Jessica Rodríguez encerrou o dia analisando um dos temas mais relevantes para a competitividade internacional: as condições pós-colheita e a vida útil. Sua apresentação mostrou como as mudanças climáticas podem afetar a qualidade final da fruta, enfatizando que a manutenção de boas condições ao longo de toda a cadeia logística começa muito antes da colheita e depende, em grande parte, do manejo no campo.

Uma indústria para um novo cenário

Para além da diversidade de temas abordados, o primeiro dia do Seminário Internacional de Mirtilo Trujillo 2026 deixou uma conclusão comum entre palestrantes e participantes: a indústria do mirtilo já não enfrenta desafios isolados, porque o mercado, a genética, a nutrição, a fisiologia, a saúde, a logística e as alterações climáticas fazem todos parte do mesmo sistema, em que cada decisão impacta a produtividade, a qualidade e a rentabilidade do negócio.

O que vem

O segundo dia do seminário, além de manter a alta frequência e participação observadas no primeiro dia, aprofundará ainda mais essa visão abrangente da cultura, com palestras dedicadas ao impacto do fenômeno El Niño nas principais pragas do mirtilo e novas estratégias de manejo, bem como aos diversos temas que poderão surgir do painel de discussão sobre genética, demandas de mercado e qualidade da fruta, onde representantes das principais empresas de melhoramento varietal analisarão o fato indiscutível de que novas variedades estão redefinindo a competitividade global do mirtilo.

 

fonte
Consultoria Blueberries

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