Gonzalo Salinas: "Ainda há espaço para o Chile, mas não para qualquer mirtilo."
O Chile ainda mantém uma posição consolidada em mercados-chave, mas essa margem já não permite a utilização de qualquer fruta. Num cenário mais competitivo, com mais concorrentes e consumidores cada vez mais exigentes, a oportunidade reside em oferecer um mirtilo de qualidade consistente que esteja em sintonia com as necessidades do mercado.
Essa foi uma das mensagens centrais da apresentação de Gonzalo Salinas, do Rabobank, no XL Seminário Internacional de Mirtilo Chile 2026, onde ele mostrou que tanto na Europa quanto nos Estados Unidos ainda existem oportunidades atraentes para o Chile, embora em um contexto em que a competição não é mais definida pelo aumento do volume, mas sim pela manutenção da qualidade e consistência semana após semana.
A oportunidade ainda existe, especialmente na Europa e nos EUA.
Um dos pontos destacados por Salinas é que o crescimento da categoria nos Estados Unidos continua sendo fortemente influenciado pelas importações. Enquanto na temporada de 2017-2018 o fornecimento local e fora de temporada era muito mais equilibrado, hoje quase dois terços do que chega a esse mercado são frutas importadas, com Peru, Chile e México desempenhando um papel central nesse fornecimento.
Nesse cenário, o Chile ainda tem uma janela de oportunidade, especialmente na transição para o México. Mas essa oportunidade não se sustenta apenas pela disponibilidade. Requer uma... oxicoco capaz de responder com qualidade ao que o mercado exige. Como afirmou Salinas, “você não pode simplesmente chegar com qualquer tipo de oxicoco".
O cenário está mais competitivo.
A oportunidade ainda existe, mas o cenário competitivo mudou. Na Europa, Salinas mostrou que o Peru não é mais apenas um participante de transição, mas um competidor presente durante toda a temporada chilena. A isso se somam outros países que ganharam visibilidade, incluindo Marrocos, cuja presença começa a ser sentida na mesma época do calendário que o Chile.
A Europa, de fato, consolidou sua posição como o principal mercado de exportação do Chile. Mas essa posição agora coexiste com um cenário mais exigente, não apenas devido ao maior número de concorrentes, mas também pelo tipo de fruta com a qual cada origem compete. Nesse contexto, a diferença reside, mais uma vez, na qualidade e no fornecimento consistente semana após semana.

Gonzalo Salinas no XL Seminário Internacional de Mirtilo Chile 2026 © Blueberries Consulting
A consistência passou para o centro.
Se há uma variável que permeia toda a apresentação, é a consistência. Salinas enfatizou que o mercado pode abrir espaço para diferentes perfis de frutas, mas a experiência do consumidor precisa ser repetível. O Chile, disse ele, está em uma transição na qual precisa abandonar a lógica de que a caixa de... mirtilos ser uma incógnita e mover-se em direção a uma fruta que ofereça segurança de compra e recompra.
Dessa perspectiva, a consistência deixou de ser um atributo complementar e tornou-se um dos critérios mais decisivos para a manutenção do valor. A oportunidade permanece, mas o mercado já não recompensa simplesmente a presença da fruta, e sim a capacidade de repetir uma experiência positiva.
A Europa se consolida, enquanto a China se transforma.
Outro aspecto fundamental da apresentação foi a análise dos destinos de exportação. Salinas mostrou que a Europa se consolidou como o principal mercado para as frutas chilenas e que as remessas de mirtilos orgânicos têm crescido fortemente naquele continente nas últimas temporadas.
A China, por outro lado, parece ser um mercado que exige maior atenção. Salinas alertou que o Chile vem se retirando desse mercado e que as tendências de preços e o fim da temporada exigem um monitoramento mais rigoroso dessa mudança. Enquanto isso, a Europa e os Estados Unidos continuam a apresentar sinais mais favoráveis para as frutas chilenas, embora em um ambiente muito mais competitivo.

Gonzalo Salinas no XL Seminário Internacional de Mirtilo Chile 2026 © Blueberries Consulting
Um mercado jovem, com mais consumidores e diferentes tipos de mirtilos.
Apesar do aumento da pressão competitiva, Salinas enfatizou que o mercado ainda é jovem e que não existe um único tipo de mirtilo que agrade a todos os consumidores. Há diferentes perfis de preferência — com base no tamanho, na textura ou no sabor — e isso abre espaço para uma categoria que continua a se expandir.
Nos Estados Unidos, o consumo ainda está fortemente concentrado no segmento premium, indicando que a categoria ainda tem espaço para expansão sem perder valor. Salinas vê essa tensão entre a democratização e a manutenção de um posicionamento premium como uma categoria que continuará a crescer, incorporando novos consumidores e coexistindo com diferentes tipos de frutas, dependendo da ocasião e da preferência.
Para o Chile, esse cenário continua oferecendo oportunidades, mas sob uma condição cada vez mais clara: competir com um oxicoco que atenda consistentemente às expectativas do mercado. Nessa competição, a diferença não é determinada apenas pelo volume, mas pela experiência que a fruta proporciona a cada compra.
Confira o vídeo de Gonzalo Salinas no nosso canal no YouTube Blueberries TVonde ele explica que o mirtilo se consolidou como uma fruta verdadeiramente global, com demanda crescente e maior diversificação de mercado.
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