Inteligência competitiva:

A nova guerra dos mirtilos não está nos campos: está na logística, nos dados e no timing.

A campanha global de 2025/2026 mostra que a rentabilidade do negócio depende cada vez menos da produção de mais frutas e muito mais de saber quando enviá-las, para qual mercado e com qual estratégia para evitar conflitos que destroem valor.

Durante anos, o agronegócio do mirtilo operou sob uma ideia bem estabelecida: produzir mais parecia o caminho natural para a competitividade. Mais hectares, melhores variedades, maior produtividade e mais frutas disponíveis eram todos sinais de progresso. Mas o mercado global está entrando em uma nova fase.

Hoje, a vantagem competitiva depende cada vez mais da compreensão precisa do mercado, da antecipação das janelas de venda e da movimentação precisa da fruta. A análise da temporada 2025/2026, realizada pela Blueberries Consulting por meio de seu Relatório Analítico Estratégico sobre Inteligência de Janelas de Venda e Risco de Comoditização, mostra claramente para onde o setor está caminhando: a lucratividade moderna depende tanto do volume quanto da inteligência logística com que esse volume é gerenciado.

Egito e o valor de ser o primeiro a aparecer

Poucas histórias ilustram isso melhor do que a do Egito. Com apenas 1.533 toneladas exportadas — uma escala muito pequena em comparação com outros players globais experientes — o país conseguiu posicionar sua oferta em dezembro e atingir o preço máximo de mercado de US$ 10,59 por quilo.

O Egito soube aproveitar esse momento com excelente timing. Entrou cedo e conseguiu se movimentar dentro de uma janela de menor pressão de oferta. Esse tipo de manobra está moldando uma nova forma de competir atualmente.

No caso de Marrocos, um dos principais atores na bacia do Mediterrâneo, foram movimentadas 60.409 toneladas, mas os preços médios ponderados variaram de US$ 6,35 a US$ 6,54 por quilo, atingindo US$ 6,41/kg na temporada 2025/2026 e registrando o preço mais baixo em julho, a US$ 5,57 por quilo. Mais uma vez, o momento da transação foi determinante.

Esse mesmo padrão também é observado no oeste da Ásia, onde a Geórgia liderou o volume regional com 6.898 toneladas, mas seu retorno caiu para US$ 6,35 por quilo em julho, precisamente quando coincidiu com os fluxos da Turquia e do Azerbaijão.

A Turquia, por outro lado, agiu com melhor timing e garantiu seu melhor momento em maio, evitando o gargalo regional. Isso permitiu que o país atingisse um pico de US$ 8,93 por quilo e mantivesse uma média ponderada da campanha de US$ 7,94 por quilo. O momento de entrada no mercado, mais uma vez, fez a diferença.

 

Peru e a maturidade da escala

O caso peruano oferece outra interpretação, pois demonstra que a escala pode capturar valor quando bem gerenciada.

O Peru exportou 382.934 toneladas durante a temporada 2025/2026 e ainda conseguiu manter um preço estimado de US$ 6,56 por quilo. A explicação, segundo o relatório, reside na maturidade operacional: gestão capaz de distribuir os fluxos, evitar picos destrutivos e sustentar a estabilidade comercial. Uma escala bem administrada também pode ser uma vantagem.

A nova consultoria

Talvez a mudança mais profunda proposta pelo documento resida em outro ponto: na transformação do próprio conceito de consultoria. Se a competitividade não depende mais exclusivamente da gestão agronômica, então as decisões também precisam ser tomadas com uma perspectiva mais ampla do que apenas a do campo.

O relatório enfatiza um conceito que está ganhando importância: inteligência transacional. Isso envolve trabalhar com matrizes auditadas, conciliar números, governança de dados, validar volumes, rastreabilidade de negócios e interpretar com precisão as janelas de dados, entre outros fatores.

Nesse contexto, plataformas como a Blueberry World Analytics (BWA) surgem como ferramentas de auditoria capazes de reconstruir dados reais a partir de declarações de exportação, segmentando entre produtos frescos e processados, resolvendo inconsistências e evitando decisões baseadas em números preliminares ou interpretações incompletas.

Isso altera o papel que os dados desempenham na tomada de decisões atualmente. Uma boa compreensão da informação não serve mais apenas a um propósito técnico: tornou-se fundamental para a estratégia.

Competição fora de campo

Durante muito tempo, a liderança no cultivo de mirtilo foi definida pela produtividade biológica. Hoje, a competição ganhou novas camadas. Aqueles que melhor compreendem o momento certo, gerenciam seus períodos de cultivo com mais precisão e traduzem dados em decisões oportunas estão levando vantagem.

Nas exportações agrícolas modernas, a vantagem competitiva já não é definida apenas pela colheita, mas também pela capacidade de planear melhor.

 

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fonte
Consultoria Blueberries

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