Logística e infraestrutura

A competitividade do mirtilo já não se resume apenas ao que acontece no campo.

As discussões em Paracas revelaram um desafio comum a vários países exportadores: à medida que a produção cresce, aumenta também a pressão sobre as estradas, os portos e a coordenação logística para manter a qualidade e atender às demandas do mercado.

Em Paracas, o caso Ica abriu uma discussão que vai além de uma única região. Na indústria de oxicocoA competitividade depende do desempenho no campo ou da qualidade da fruta, mas também da capacidade de transportá-la eficientemente da colheita ao porto.

Com o aumento do volume de cargas, cresce também a pressão sobre as estradas, o transporte de pessoal, a entrada de suprimentos, as embalagens e as partidas portuárias. Ica surge aqui como um exemplo concreto de um problema mais amplo: como garantir que a infraestrutura e a logística acompanhem uma indústria que exige precisão cada vez maior.

Uma pressão que cresce juntamente com a produção.

O crescimento produtivo traz consigo maiores demandas logísticas. Essa foi uma das ideias que surgiram durante o debate.Peru em evolução: Projeções e desafios da indústria de mirtilo em IcaCom o aumento das tarefas agrícolas e do volume de frutas, tudo o que envolve a operação torna-se mais sensível, desde a movimentação de pessoal até o transporte da colheita para as unidades de embalagem e o porto.

Do ponto de vista de Ica, esse ponto é especialmente relevante porque a região continua expandindo sua presença no mercado peruano de mirtilo. Mas o mesmo se aplica a outros polos de exportação: em qualquer área onde a produção cresce, a capacidade de movimentar frutas, pessoas e suprimentos com a velocidade e a continuidade exigidas pelo setor é, em última análise, testada.

Painel “Peru Avançando: Projeções e Desafios da Indústria de Mirtilo em Ica” na Convenção de Mirtilo de Paracas 2026 © Blueberries Consulting

A infraestrutura rodoviária deixou de ser uma questão secundária.

Luis Rodríguez, Gerente de Operações da Hass Perú SA, focou na conectividade rodoviária e nos tempos de viagem. Ele explicou que trajetos que normalmente levam uma hora e quinze minutos podem se estender para quase três horas durante os períodos de pico da colheita. Isso ajuda a ilustrar o quanto a operação pode ser prejudicada quando a infraestrutura não consegue acompanhar o ritmo da produção.

Luis Rodríguez Hass Perú SA na Blueberry Convention Paracas 2026 © Blueberries Consulting

 

Esse aumento nos prazos de entrega não afeta apenas a organização diária dos campos. Ele também impacta o transporte de trabalhadores, a entrega de suprimentos e o envio de frutas para as unidades de embalagem. Outra observação feita na conversa corroborou essa ideia: quando as projeções internas falham, o planejamento de transporte e de pessoal fica desorganizado, o que acaba aumentando os custos e tornando as operações mais instáveis.

A discussão revelou, portanto, que a infraestrutura rodoviária não pode mais ser considerada uma questão periférica. À medida que a produção aumenta, as estradas e os tempos de acesso passam a ter um impacto mais direto na eficiência, na coordenação e na capacidade de resposta.

Os portos estão começando a desempenhar um papel mais ativo.

A essa perspectiva regional, a questão portuária foi posteriormente adicionada. Rabi Hernán Vilela Ríos, Subgerente Comercial do Porto de Paracas, explicou que o terminal vem fortalecendo sua infraestrutura e operações para atender à demanda de exportação agrícola do sul. Ele observou que, desde o início da concessão em 2014, o porto acumulou investimentos de mais de US$ 250 milhões, com foco na movimentação de contêineres e na capacidade operacional.

Em seu discurso, Vilela também destacou o modelo atualmente adotado por Paracas, baseado em uma gestão mais integrada de contêineres e na coordenação com as companhias de navegação. A lógica, explicou ele, é concentrar mais etapas da cadeia de suprimentos em um único ponto para reduzir movimentações desnecessárias e agilizar o processo de coleta de contêineres vazios, sua devolução com frutas processadas e o despacho de novos carregamentos.

Além disso, está prevista uma nova fase de expansão para 2027, com novos equipamentos para aumentar a capacidade operacional do terminal. Mais do que um simples ponto de partida, Paracas emergiu na discussão como um ator-chave que busca ganhar importância na logística de exportação da região.

Rabino Hernan Vilela Rios de Puerto de Paracas na Blueberry Convention Paracas 2026 © Blueberries Consulting

 

A qualidade exportável também depende da cadeia de suprimentos.

A discussão também revelou que a competitividade do mirtilo não pode ser considerada apenas em termos de produtividade no campo ou seleção de variedades. Ela também depende da eficiência da cadeia de suprimentos que conecta a colheita, o transporte, o embalamento e o porto. Quando essa cadeia se torna ineficiente, a pressão resultante se traduz rapidamente em aumento de custos, prazos de entrega e piora na qualidade da fruta.

Juan Pablo Bentín, Gerente de Produção da Family Farms Peru – MBO, reforçou essa ideia ao enfatizar a necessidade de melhor antecipação e operações mais coordenadas. Em uma região em rápida expansão como Ica, essa visão de futuro é crucial não apenas para a gestão da produção, mas também para a logística necessária para movimentar frutas, pessoal e suprimentos com mais eficiência.

Para produtores e exportadores, essa intersecção tem uma consequência direta, já que a qualidade exportável depende da capacidade de sincronizar a colheita, o transporte e o embarque da fruta dentro de uma cadeia que funcione com continuidade e previsibilidade.

Juan Pablo Bentín, da Family Farms Peru, na Convenção de Mirtilo de Paracas 2026 © Blueberries Consulting

Uma discussão que vai além de uma única região.

O caso de Ica revelou uma pressão que pode se repetir em outras regiões exportadoras da América Latina. Em um setor que continua a crescer, a logística deixou de ser apenas um suporte à produção e passou a impactar cada vez mais a competitividade.

Para oxicoco Para os exportadores, essa discussão está ganhando força. À medida que os volumes aumentam e as exigências do mercado se tornam mais rigorosas, a infraestrutura, os tempos de trânsito, a capacidade portuária e a coordenação operacional estão se tornando tão importantes quanto a própria produção.

México 2026: Mercado, Concorrência e Captura de Valor

O debate aberto em Paracas será projetado no XLI Seminário Internacional de Mirtilos México 2026 a partir de uma perspectiva complementar: enquanto em Ica o foco foi em infraestrutura, logística e coordenação operacional, em Guadalajara a discussão se voltará para a posição do México em relação a outras origens e as oportunidades de capturar maior valor.

Este tema será abordado no painel “México vs. concorrentes — quem capturará valor na próxima etapa do cultivo de mirtilo?”, juntamente com apresentações de Colin Fain, da Agronometrics, e Carlos Madariaga, da LATAM Berry Fresh, sobre preços, concorrência global, a evolução do cultivo de mirtilo mexicano e a dinâmica do mercado.

A reunião ocorrerá nos seguintes dias. E maio 27 28 até 2026. Você pode Compre seus ingressos aqui.  y Confira a programação completa aqui. 

Empresas interessadas em estandes ou patrocínios podem entrar em contato com a equipe organizadora pelo e-mail contacto@blueberriesconsulting.com ou pelo telefone +56 9 3469 3871.

 

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fonte
Consultoria Blueberries

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